When I was
young and dreamed about my very own world, I created magic artifacts to use
magic based on the tarot cards. This is a basic list of how I interpreted the
major arcana tarot cards and each power they hold.
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sábado, 28 de julho de 2018
quarta-feira, 31 de maio de 2017
EU PRECISO ESCREVER...
Como em todos os momentos em que tudo o que eu tinha eram angustia e incertezas, mais uma vez torno a escrever para tirar certos sentimentos de mim e deixá-los ir. Não quero que comente, não quero que você leia, mas se mesmo assim o fizer, não espere minha gratidão, não acho que eu saiba realmente o que significa isso... não mais...
A vida vai e vem, vem e vai... O que eu deveria fazer? Tudo o que eu quero é que esse sentimento de montanha-russa termine de uma vez, que a vida pare de ser tão incerta, que as coisas parem de quebrar justo quando não tenho dinheiro, justo quando estou nas mãos do que as outras pessoas querem... Se eles vão deixar a minha vida de lado porque ela não tem importância alguma pra eles, é isso que será feito de mim: nada. Neste nada que me tornei, fui deixando as coisas irem, afinal, se apegar é errado, não é? Pensar alto demais é errado, Sonhar alto demais é ERRADO. Você não tem forças pra seguir de tão errado que a sua vida se tornou e o buraco no meio do meu peito só deixa evidente o quanto me tornei vazio. Acreditar? Acreditar no quê? Em mim é que definitivamente não é... Se eu tivesse mais um pouquinho de força, se eu fosse um pouquinho mais esperto, eu não estaria aqui para escrever isso, se é que você realmente entende o que eu quero dizer... Não, não estou falando de que as coisas seriam melhores, pelo contrária, teria tido forças pra fazer o que não deveria.
Tudo na minha vida agora acabou se resumindo àquilo que o dinheiro pode comprar. Não, não estou falando sobre coisas caras, sobre coisas que não preciso de fato, sobre coisas que não uso. Estou falando do básico mesmo, coisas que as pessoas deveriam comprar... É engraçado como quando eu era criança, odiava ganhar ou comprar roupas, nunca tive prazer nisso. E então hoje me vejo com vontade de comprar meias e cuecas porque as que eu tenho não estão mais tão boas quando foram compradas há alguns anos. Me é excruciante ver que a minha ferramenta de trabalho, o computador, é tão fácil de quebrar que, de fato, já percebi que eu vou enlouquecer algum dia. Estou usando um notebook usado, já que o meu mesmo foi pro concerto e até agora a pessoa que disse que ia concertar prometeu há cerca de um ano que ia fazer algum coisa. O notebook chegou a voltar pra cá com o mesmo defeito, sem ninguém ter feito nada e eu, trouxa de acreditar nas pessoas, devolvi o notebook para o concerto - estava acompanhado da fonte quando entreguei e quando retornou não estava com o notebook. É desesperador quando eu pergunto pra minha mãe pedir o notebook de volta para que ele pelo menos esteja comigo e ela simplesmente nega... Eu sei que nunca verei aquele notebook de novo, não funcionando novamente...
Você tem muita sorte se consegue confiar numa única pessoa que seja, com todo coração. Pessoas traem, pessoas mentem, pessoas são falhas, elas não nascem perfeitas. Mesmo que não seja da intenção delas, elas vão falhar com você e tudo o que lhe resta é pensar consigo mesmo que aquela coisa que era importante pra você, que você botou o seu coração naquilo, simplesmente foi esquecido por aquela pessoa que deveria ser impontante pra você. As pessoas não percebem que estão pisando em você, elas só conseguem dizer um 'desculpa' sem emoção nenhuma e ainda conseguem permanecer pisando em você como se não fosse nada. Eu tenho medo das pessoas. Eu não escrevo para aparecer, para me mostrar. Na verdade, toda vez que vejo um comentário novo, meu coração dói, imaginando a merda que a criatura alienígena aqui fez para despertar o desinteresse de alguém no árduo trabalho que tive para por meus pensamentos nestas linhas, que finalmente alguém descobriu que eu fugi a regra que todo mundo segue na vida e que querem me forçar a segui-la como se já não bastasse eu não me sentir mais humano, tenho que me encaixar nesse perfil perfeito que todo mundo faz de si mesmo e das pessoas ao redor. Eu não quero ser excluído por ser diferente, queria que as pessoas entendessem que o mundo carece de amor, que eu careço e muito de confiar nas pessoas e que gostaria muito de conseguir quebrar essa sina maldita que me parte o coração toda vez,,, Eu não tenho futuro.
Por mais que eu seja diferente, gostaria de ter tido a oportunidade de seguir em frente com o que eu tentei anteriormente na minha vida. Mas as pessoas não entendem que deu errado, que me faltaram coisas e sentimentos que não estavam lá. Muitos artistas reclamam que as pessoas que admiram seus trabalhos e só dizem: você tem talento. Não importa a quantidade de horas que você gastou pra conseguir chegar naquele nível; a quantidade de vezes que você lutou contra si mesmo pra conseguir dizer: está bom pra mim; nem o tempo que você passou sem fazer o que gosta porque estava decepcionado consigo mesmo. Queria poder ajudar essas pessoas, fazer alguma surpresa especial para alegra-las, fazê-las sentir que a arte delas vale a pena. Eu não tenho essa sorte... É díficil dizer o que de fato faria da parte ruim de ser um artista também fazer parte do lado bom, a maioria dos artistas caminha sozinho, nas sombras, em lugares que ninguém te enxerga. No entanto, não fomos nós que simplesmente trilhamos esse caminho por que queríamos. Muitos de nós ficariam felizes em produzir algo de qualidade, algo memorável, algo que fosse popular. Se pelo menos fosse fácil assim...
Uns poucos conseguem um mínimo de notoriedade pra sobreviver de sua própria arte. Menos pessoas ainda conseguem 'chegar lá', sentindo-se plenos financeiramente pra fazerem o que quiserem mantendo o trabalho duro. E a imensa maioria encontrasse esquecida num canto ou outro, uns, como eu, estão ainda se mantendo no caminho, mesmo que a realidade se mostre muito pouco favorável, e outros, que admiram a arte, que sentiriam prazer em fazer arte, são renegados a esquecerem que um dia poderia fazer algo com a própria criatividade, vivem da repetição, e esquecem que tiveram sonhos bonitos um dia. A vida acaba se resumindo a trabalho, comer, dormir. Muitos adoram a família, mesmo que escondam que na verdade, desprezam-na, ignoram-a e se veriam muito mais felizes sem as responsabilidades que não pediram pra ter. Amar alguém se tornou masoquismo, você sente prazer em sentir dor, em sofrer, em ser humilhado e rebaixado a nada. Basicamente amar se tornou amar quem não te ama, quem não olha pra você, que espera que você faça coisas sem retribuição nenhuma. Amar se tornou algo inútil, pois só nos piores momentos é que ensina alguma coisa, no mais permanece calada, quieto, dolorido... em suma, algo ruim para sua saúde. Você se sente amada/o? Será que você realmente está retribuindo ou só está jogando tudo nas costas dessa pessoa que não merece como você a/o trata?
Pois é, prepare-se! Se você não amar, se você não colocar as pessoas antes de si mesmo nem um pouquinho, você não merece ser amado, E então chegamos no maior de todos os impasses: se ninguém ama ninguém, de onde virá o amor que precisamos na nossa vida? Boa sorte tentando sentir algo, ninguém te avisou antes, mas agora eu vou dizer: nem todos os sentimentos estarão lá e, pior do que isso, eles podem nunca estar. Empatia, compaixão, a capacidade de entender o quão ruim seria estar numa situação em que você nunca gostaria de estar, podem não estar lá pra te prevenir de cometer erros. Na verdade, as pessoas acham lindo nunca abaixar a cabeça pra ninguém, sem perceber que o que elas estão fazendo é justamente manter a cabeça baixa pra tudo, sem enxergar o que está acontecendo ao seu redor, sem ter nenhum cuidado pra não pisar onde não devia. As pessoas roubam, matam, esquecem... e o sentimento que deveria estar lá para prevenir isso, não está lá, ou foi jogado fora por causa das decepções, das amarguras da vida, das traições de pessoas queridas que se envolvem com o que não deviam, com as ilusões que temos sem perceber que somos nós mesmos que críamos. Quem disse que era pra você acreditar na fidelidade humana? Você se tornar responsável pelo que cativas, e isso inclui a ti mesmo.
Na esperança, incerta e teimosa, comprei uma tele-sena de são joão para tentar uma última vez ganhar um pequeno prêmio que fosse. Evidentemente que também estou de olho no prêmio de cinco anos de 'salário' de cinco mil reais. Isso mudaria a minha vida... você. caro leitor, não tem ideia de como. Retomando o assunto, nos últimos anos, desde que não tive mais forças pra continuar o curso de Design de Interiores, me sinto abandonado na vida por ter menos do que é preciso pra conseguir dar continuidade a minha existência. Isso foi em 2009. Acabei repetindo a mesma situação em 2010, quando tentei um curso de administração e me senti tão frustrado que desisti do curso. A vida sempre cobra de você sentimentos que você não sabe lidar com eles. Por vezes não acontece nada demais. mas pra mim isso é algo ruim que me consome até hoje. Consegui terminar dois cursos básicos (meio que uma fachada do governo pra fingir que está dando educação quando as pessoas que saem do curso não aprenderam o que realmente precisavam pra seguir em frente). O primeiro foi de informática, ainda em 2010, e o segundo de marcenaria, um pouco melhor do que o outro, no começo de 2011. No fim do segundo curso fui chamado algumas vezes para ir trabalhar em algumas marcenarias e, no último caso que fui chamado, tive um dia de experiência. Era pra ser uma semana... No fim do primeiro dia me senti tão mal que não sabia mais o que fazer. Então simplesmente nunca mais voltei. Eu não estava preparado e acho que ainda não estou,
Em 2012 foi uma certa alegria, renovei minhas expectativas quando meu irmão comprou um computador e minha irmã pediu uma linha de telefone com internet. Consegui até escrever algumas histórias fantásticas no meu outro blog. Tudo começou a ruir quando percebi que teria que me mudar para outra cidade. Eu não gosto de mudança, odeio isso. Mesmo com meses de antecedência, eu já me sentia mal e isso afetou meus últimos escritos nesse blog. Aquilo que tinha virado uma boa rotina de escrita a noite e publicação durante o dia, se tornou escasso e, enquanto eu ia percebendo que as minhas coisas não estariam mais aqui, discuti com meu pai e ele bateu no meu computador, um computador velho e usado que chegara aqui em casa em 2009, ainda usando windows 98 e que mudei para windows xp. Vendo o computador sem funcionar direito, eu fui calmamente até o quarto dos meus pais e disse: você conseguiu... Me virei e não consegui mais aguentar o choro. E não pensa que era por causa de rede sociais. Aquele computador era tão velho que nem dava pra colocar internet nele! Antes eu tinha tanta esperança de fazer algo decente pra colocar na internet, mas agora tudo não passa de uma ilusão.
Passado o susto, meu pai me prometeu um notebook e, no mesmo mês em que eu mudaria de cidade, ele foi comprado. Olhando agora, posso dizer que ter algo pra me distrair num lugar novo me ajudou a seguir em frente. Comecei um blog novo especialmente para publicar o conteúdo produzido nessa cidade do interior do Ceará. Teria sido bom, não fosse o dinheiro ter acabado e continuar naquela cidade ter se tornado insustentável. Lá eu passei pela maior vergonha da minha vida, algo que você não pode imaginar nem entender, não é algo que acontece normalmente, era algo que só acontece quando você acredita muito numa coisa e essa coisa se volta contra você de tal forma que só de ouvir o nome dela você passa mal e não quer mais falar sobre o assunto. Eu já disse que não era normal. Era algo que se eu disser o que era, não vai fazer sentido pra você, você vai diminuir a minha dor como se a lâmina que me apunhalou nunca tivesse feito estrago algum. Por causa daquilo e eu aprendi que sempre que eu estou feliz, vem algo e me decepciona profundamente, Em novembro de 2014, recebi a notícia de que ia voltar para São Paulo. Me senti tão horrível como quando me disseram que eu ia me mudar. Com muito pesar tive que abandonar uma gata e quatro filhotes que não tinham nem um ano de vida naquela casa sem nem ao menos me despedir,,, Eu me sinto como um monstro que não consegue nem ao menos tomar contar de gatinhos...
Me mudei em Janeiro de 2015 e em Abril eu tentei juntar forças pra escrever uma história nova, com a anterior interrompida pelo anúncio de que eu voltaria para São Paulo. Antes do fim do mês, eu teria um acidente com o notebook e ele pararia de funcionar corretamente. Foi para o concerto e voltou em Junho. Foram meses angustiantes pra mim sem saber o que fazer, sem conseguir ter paz pra escrever e tentar terminar aquela história. Chegou Julho, um novo mês para escrever. Meio temeroso de que algo ruim acontecesse, só comecei a escrever lá pelo dia 6: Alérgico, a minha obra atual. Consegui escrever bem mais do que eu pretendia e escrevi dois volumes até o final de novembro, Em Dezembro, comecei o terceiro volume... ainda estou tentando retomá-lo. O terceiro volume estava sendo mais difícil de escrever e eu estava levando meses para escrever alguns trechos. Eu o teria terminado antes que se completasse um ano do começo da escrita... Se não fosse pelo notebook travar de vez em Maio de 2016 e acontecer o que lhes contei no começo. Passei semanas e meses tentando encontrar algo pra fazer pra me distrair do fato que eu não conseguia escrever a história, de que toda vez que meus irmãos estivessem em casa, eu não poderia usar o computador deles, etc. Em Dezembro do mesmo ano, recebi este notebook usado. Meio receoso de que algo poderia acontecer, tentei outra história e, antes que eu pudesse fechar o primeiro arco, o notebook começou a dar problema e foi pro concerto.
Agora, Maio de 2017, o notebook volta. Eu não sei ficar grato pelo que aconteceu. Não pude nem ter um dia inteiro com ele em casa, que surgiram vários problemas. Acho que a placa está quebrada, não para de dar sinais de que algo está errado. Tive que comprar um teclado e um mouse pra poder ficar mais sossegado, pois estava um inferno tentar usar o mouse pad ou o teclado do próprio notebook. E o pior não foi isso! Com o tempo que o notebook ficou parado, ele ficou sem atualizar o windows, e ao retornar, nada mais normal do que atualizar tudo, certo? Errado! Os pacotes de atualização deram conflito e, adivinha, recebei a seguinte mensagem na tela: ERRO FATAL. Depois de tantos problemas sem saber o que será de mim no futuro, passei o resto da noite em claro tentando solucionar o problema mesmo com o teclado e o mouse pad todo zoado. No domingo, já com o dinheirinho que eu não deveria gastar, pois precisamos de um fogão novo, saí pra comprar os ditos componentes, Fui a pé até o hipermercado Walmart que fica a cerca de 12 km de distância. As pessoas consideram impensável fazer um trajeto desses a pé, sabe? Até o momento o notebook me pareceu estável, apesar de que não devo usar o teclado, da tela - que é de desktop, não a tela do notebook, ela foi retirada pois a outra não estava funcionando direito - que fica piscando a cada cinco ou dez minutos por não sei que motivo, e do erro fatal ter conseguido desabilitar o meu anti-vírus em definitivo, eu acho.
Além disso, nesses últimos dois meses, o botão de ligar do meu celular, que me ajudava bastante quando eu não podia acessar a internet, parou de funcionar. Sem ele, o celular já era, apesar de que ainda consegui fazer a configuração dele ativá-lo sozinho ainda umas quatro ou cinco vezes. Sem celular e sem notebook, toda vez que meus irmãos estão em casa, eu precisava fazer alguma coisa ou ia enlouquecer! Resolvi fazer algumas receitas, algumas até que eu nem havia feito antes. Não ficaram lá muito boas, mas valeu a experiência. O caso é que, de tanto usar o forno do fogãozinho velho, a grelha (ou seja lá como chama aquela parte que tem vários buraquinho de onde sai o gás) começou a soltar fumaça. Isso já havia acontecido antes, mas não da forma como estava acontecendo. Tentou-se de tudo, mas aparentemente não devemos mais usar o forno do fogão, que já tem uns vinte anos, e comprar um novo ou comprar um novo negócio que eu não sei o nome pra por no lugar. Até parece que só porque eu queria fazer receitas e mais receitas, o forno ficou ruim. Mas é, eu vivo abaixo do nível básico, precisando de meias, cuecas, um tênis novo, de um computador novo, de um celular e, mesmo que não dê pra colocar, pois a operadora da internet não tem nenhum pacote maior, uma internet nova também! Aqui em casa vivemos com menos de um mega por segundo, chegando até mesmo a ser menos da metade de um mega em horário de pico. Se a internet trava? Tem horas que ela simplesmente desaparece do nada!
Esse estado de vida que está sempre do lado ruim me incomoda. E não pense que isso me dá força alguma, pelo contrário, só me deixa mais infeliz. Eu não quero viver se for pra ficar nessa situação: começa projeto, interrompe projeto, espera um eternidade pra recomeçar, começa de novo e, de repente, mais uma interrupção no meio da coisa! A tele-sena que eu comprei eu só abri pra cadastrar no site, pois não vou pegar os números no sorteio, eles não vão me dar prêmio algum. Não raspei a raspadinha que fica na frente da tele-sena, eu sei que não há prêmios ali. Acho que comprei mais por descargo de consciência, pra provar pra mim mesmo que aquela é última vez que compro uma tele-sena, última vez que faço qualquer jogo na loteria (coisa que já não vinha fazendo há algum tempo) e a última vez que espero que algo mude pra melhor... E se tiver algum prêmio? Você não faz ideia do quanto eu quero estar errado... Eu estou ficando maluco com o quanto eu quero que as coisas mudem sem nem ao menos ter o mínimo pra conseguir terminar meus livros...
Se você conseguiu 'chegar lá', você tem sorte, nem todo mundo, aliás, muito mais pessoas do que você imagina, sequer conseguiram dar o primeiro passo quando queriam, não tinham tempo quando podiam, e quando finalmente podiam e queriam, a vida não tinha mais tempo pra eles. Continuar sonhando é bom, mas deixar isso ser apenas um sonho faz da sua vida algo mais cinza. A vida deveria ser mais colorida, mais igualitária, mais vivível. Mas o que temos não é nem de perto isso. E pensar que há pessoas no mundo que nem sequer tem arroz pra comer, porque não tem dinheiro pra comprar um quilo de arroz sequer... Quem sou eu pra reclamar? Acho que isso é o que mais dói: eu tenho o direito de sofrer, de me sentir decepcionado com a situação? Ou é tudo egoísmo fútil de minha parte? Eu só queria que as coisas melhorassem, mas eu sei que elas não vão... Eu tenho 26 anos, não tenho emprego, não tenho faculdade, não tenho perspectiva de vida e estou tentando aprender a criar arte para não ficar louco. Mas até isso pode me ser tirado uma hora ou outra... E então, eu estou sendo pessimista demais ou é a vida que resolve ser dura demais sem ter a menor sensibilidade de que o sentido da vida de algumas pessoas está sendo arrancado delas? Não há muita escolha, é sofrer ou sofrer... pois a dor é inevitável, a única coisa que muda é como você vive a dor. Se você não consegue lidar com essa dor como eu, as pessoas vão ser ainda mais insensíveis para contigo e ainda menosprezá-lo quando tudo o que você quer é algum apoio pra continuar. Você não quer fazer aquilo, você quer viver, mas você você percebe que fazer aquilo não mudaria muito as coisas ao seu redor, as pessoas vão simplesmente continuar suas vidas como se nada tivesse acontecido.
A vida é algo cheio de turbulências, enquanto alguns lidam bem com isso, eu calhei de lidar com isso com depressão, com tristeza, com dor... Eu tenho pra mim tentar mais um dia, fazer uma caminhada que as pessoas não costumam fazer, tentar um receita que ninguém na sua casa jamais fez. Eu tento, um dia após o outro. Eu tento me segurar pra não matar alguém, tento me segurar pra aturar os outros, tento me segurar pra continuar e tentar mais uma. No meu caso, isso tem sido insustentável, mudança após mudança, fraqueza após fraqueza, decepção após decepção... Eu não tenho o básico que uma vida deveria ter, eu não tenho onde por esses sentimentos além deste local que você está vendo.
No fim de tudo, acho que eu não queria mandar treze fitas para que as pessoas ouvissem os porquês. O que eu queria mesmo era pode mandar de graça uma cópia dos três volumes de Alérgico pra cada um que eu achasse interessante, pois o que acontecesse no final tem a ver com isso de alguma forma...
Ainda não escrevi o final do livro... Eu quero muito poder escrever um final bom, mas sendo realista, finais bons não existem... Eu só posso pedir que alguém mais seja feliz no meu lugar... infelizmente eu não sou... :'o]
OTL OTZ orz by kyrayamato10
sábado, 13 de junho de 2015
NADA MUDA
Mais uma vez o que minhas capacidades mostram é que não sou capaz de fazer a coisa certa. Descontrolado, agindo por impulso, faminto pela vontade de fazer algo que eu sinto ser capaz de fazer, eu cometi um novo erro. Será que mesmo tendo acontecido antes, não sou capaz de evitar nova catástrofe? Enlouquecer é a única saída? Por que será que parece que eu sou o único passando por situações assim? Não sou capaz de viver uma vida normal, com problemas normais?
Meu notebook quebra no meio do Camp NaNo de Abril, quando eu estava com mais de 30 mil palavras escritas e com capacidade total de chegar a meta de 50 mil palavras antes do fim do mês. Eu consegui aguentar, tentei de tudo pra esquecer e deixar o tempo passar. Comprei 2 livros na feira do livro do Centro Cultura da Juventude (Cachoeirinha): 1Q84 (Volume 1) e A Batalha do Apocalipse, com 50% de desconto. Foram ótimo livros, conseguiram me entreter durante todo o tempo em que fiquei sem o meu notebook. Eu fiquei usando o pc dos meus irmãos durante algumas horas do dia enquanto eles estavam fora (mais o meu irmão do que a minha irmã), mesmo que eu me restringisse a não ir muito além de ver e deixar do jeito que estava; isso ajudou mudou para que eu não pirasse, sendo atormentado por pensamentos criativos.
No sábado, 06/06, meu notebook, que estava há cerca de três semanas no concerto finalmente voltara. Eu estava eufórico, já estava começando a ler um dos livros dos meus irmãos - A Menina Que Roubava Livros -, e queria muito poder voltar a usar meu notebook, escrever minhas histórias, usar a internet normalmente... Meus desejos foram frustrados pela incompetência do cara da loja... Meu notebook está agora em minhas mãos, consigo usar a internet; contudo, o problema praticamente persiste, o Windows contém erros e não consigo usar o Google Chrome. Fiquei arrasado, tanta vontade de continuar escrevendo, de usar meu notebook como antes e foi tudo por água abaixo. Mas este ainda não foi o ponto mais trágico da semana...
Olhando agora, era como se o diabo estivesse me pregando uma peça. Talvez você saiba do que eu esteja falando se olhar a publicação insight para que possa fazer mais sentido. Sou fã da obra ainda não iniciada de Gabriel Kolbe, Gatho, e ele me pediu algo que me deixou muito animado na sexta-feira anterior ao sábado do retorno do notebook: dar uma olhada no futuro roteiro da primeira história de Gatho. Eu já havia feito algo semelhante antes e mesmo assim me deixei levar... e fui levado ao erro, exagerei. Eu odeio errar, isso me machuca profundamente. Escrever perdeu o sentido...
Todas as vezes que eu tento escrever algo com vontade, algo acontece, meus sentimentos definham e eu me sinto menos humano, menos capaz, mais inútil... E o que é pior, não há ninguém que possa entender a dor dessa faca em meu peito. Não devo dizer que eu seja o único, mas em canto algum que eu olho encontro um exemplo, uma história semelhante e, o que mais me faz falta, uma forma de superação dessa dor que não passe pelo erro e pela dor.
Ainda no sábado 06/06, revoltado com a minha situação que nunca melhora e permanece numa constante onde tudo o que tenho se quebra, onde o dinheiro que gasto nunca rende nada; sai de casa, sem ter certeza de onde ia. Como em outras vezes, acabei indo para o Shopping West Plaza. A chegar lá fui direto para o banheiro, sentar na cabine, sossegado, com o Guia de Ruas de São Paulo de 2008 nas mãos, procurando algum outro lugar, algum ponto de referência para continuar me movimentando e não ficar no mesmo lugar. Nada encontrei. Com o notebook em casa, achei melhor passar nas Lojas Americanas e comprar mais alguns DVDs para que eu pudesse terminar o backup do meu notebook. Curiosamente a loja tem melhorado o serviço de livros, ampliando os títulos que antes se resumiam a uns poucos. Olhei novamente para a capa azulada de Extraordinário e decidi-me a leva-lo mesmo que o preço, que não estava visível na prateleira, fosse R$35. O primeiro na prateleira estava sem o plástico e achei melhor levar o segundo, algo que estivesse dentro do livro poderia já ter se perdido. Peguei-o e o segurei com vontade por alguns metros, indo em direção ao leitor de barras e checar o preço, antes de olhar em sua capa e perceber que o preço era de apenas R$20. Fiquei muito feliz, já tinha ouvido falar do livro, lido as abas dele que resumem um pouco do conteúdo e estou feliz por ter começa a ler a história de August, o menino que nasceu sem rosto e que tudo o que queria era ser um garoto normal. Ainda não cheguei a parte em que ele começa o movimento em favor da gentileza, mas espero ansiosamente conseguir chegar lá - para alguém sensível como eu não é fácil ler o livro, entendo perfeitamente as dores do personagem e elas ressurgem em mim com intensidade, algo incompreensível para as outras pessoas, pois não poderia simplesmente explicar-lhes o quão afiadas são as dores que os sentimentos provocam a partir de um livro que provavelmente poucas pessoas leram... (O Brasil não é um país de leitores) Também não tenho esperança de conhecer alguém que entenda Homestuck - é impossível explicar a obra como um todo, é preciso lê-la e gostar da leitura para entender o que significa não ter cavalos durante esta última semana...
Estas últimas semanas foram momentos intensos na minha vida, muita dor, impaciência, desespero. Conheci personagens novos com os quais me identifiquei: Tengo, um aspirante a escritor que reescreve secretamente uma obra de uma adolescente que ganha destaque na mídia, do livro 1Q84; e os anjos de A Batalha do Apocalipse, a qual me identifico com os ofanins, os anjos da virtude, seres que emanam luz, aversos a violência e que prezam pela bondade. Não sei como os anjos influencia a realidade, mas chego a pensar que me sinto como um ofanim, algo que acaba pensando diferente dos demais, pensando em agir com compaixão. Eu não sei de onde meus pensamentos sobre isso vem, é uma constante que chega a me irritar, ficar imaginando maneiras de ajudar as outras pessoas e nunca poder fazer nada é perda de tempo. Eu deveria tratar do aqui e do agora, mas não, sempre aparece um pensamento de ofanim criar asas na minha imaginação. Mais recentemente, reparei que tenho outra afinidade angelical: os Malakins. Provavelmente qualquer um que seja escritor deva ter alguma afinidade com os vigilantes, pois o que eles mais fazem é escrever. Além disso, eles são reservados, enclausurados no 6º céu, como eu, preso a minha existência de forma limitada. Posso até contar sobre a total falta de habilidade em usar os poderes de tempo e espaço, bases dos poderes das divindades da casta: tudo o que eu imagino tem o péssimo hábito de ser irreal, de não existir. Será que se eu pudesse desenvolver esses poderes eu poderia provocar o efeito borboleta? Refazer o passado ou observar mundos paralelos, descobrindo o que ocorreria se eu tivesse tomado outra atitude? Ou será que eu tenho um ofanim do meu lado, me dizendo coisas, enquanto eu seja secretamente um malakim encarnado? (Risos) - sim, estava eu, enquanto escrevo isso, lendo sobre anjos - De repente, certas coisas fizeram sentido... inexplicavelmente!
Um anjo encarnado? Meu deus... Minha espiritualidade deu sinais de vida sem mandar aviso! Heheh...
Acho que faria muita diferença se eu soubesse que missão eu tenho na Terra, se estou perto ou longe. ou o que está me impedindo de cumpri-la... Faria MUITO sentido. Se desse pra explicar o que essa iluminação está me fazendo pensar, eu não conseguiria explicar... Acho melhor parar por aqui, até quero continuar, mas o sentido original se perdeu e o assunto mundo. Até a próxima! o/
sábado, 7 de março de 2015
CRÔNICAS: O QUE VOCÊ FAZ QUANDO ESTÁ TRISTE?
“Parem o mundo que eu preciso descer!”
E com esta piadinha, inicio a discussão desta crônica, deste
texto crônico, onde deposito as situações crônicas da minha vida.
*suspiro*
Não há muito como evitar, estou triste, sinto-me como se eu
estivesse num ônibus chamado vida e eu perdi o meu ponto anos atrás...
E então, você já respondeu a pergunta: O que você faz quando
você está triste?
O caso nem sempre é simples, sabe? Depois que descobriram a
tal da depressão e que ela pode vir a ser tão crônica que passou a ser
considerada uma ‘doença’, o mundo vive na depressão. Tudo dói, tudo magoa... E
o que as pessoas mais fazem é ferir...
A depressão acabe sendo isso, uma ferida, uma dor profunda
no ser que não pode ser simplesmente curada, é causada por uma série de fatores
incluindo medo, decepção e fracasso. Você passa tanto tempo fechado em si mesmo
que quando precisa se abrir, ninguém estará lá para escutar você chorando,
ouvir o que você tem a dizer, são coisas idiotas, coisa inúteis e
desnecessárias, mesmo assim você precisa que alguém te escute, por algum
motivo...
— Me escuta! Eu preciso de você, preciso de você vivo,
preciso de você ao meu lado... Você é especial pra mim, não faça isso comigo,
estou te implorando... Fica comigo!
Não há nada melhor que uma conversa, que algo motivador,
algo que te traga a realidade. Você sabe o seu lugar, o que quer fazer, só não
tem a confiança para seguir em frente e enfrentar os seus demônios. Você se
considera um lixo, um inútil, um incapaz. Não entende porque o mundo ao seu
redor é tão diferente de você, porque você parece sempre ser o anormal, você
nem ao menos sabe o porquê das pessoas te ignorarem...
No meu exemplo, eu queria ser escritor...
*suspiro*
Como ser escritor no Brasil?!
No Brasil é improvável que alguém consiga ser escritor sem
ter que fazer algum “trabalho comum”, ser escritor é ter um hobby enquanto você
trabalha com alguma outra coisa, você não vê oportunidades por aí de algum tipo
de profissão onde o fundamental é escrever. Eu, pelo menos, nunca vi e nem sei
se é possível encontrar. É algo tão distante da minha realidade que começo a
acreditar que seja apenas um sonho, uma fantasia maluca, um devaneio de um
pobre que já deveria estar trabalhando... Por causa da descrença naquilo em que
eu realmente queria fazer, fico triste... E não há ninguém que queira conversar
sobre isso...
Eu não sei o que falar, como me explicar... De onde eu iria
tirar coragem pra dizer para o mundo o que eu quero fazer, sendo que o mundo
não dá a mínima pra isso? Eu vivo como um fantasma, como mais um cara que tem
um blog, um cara que vive no meio de pessoas que não dão a mínima para o que eu
escrevo, penso ou sinto... Não tenho ninguém com quem abrir meu coração e dizer:
— Eu quero morrer...
A maioria das pessoas que me vê no dia-a-dia deve achar que
eu sou só um idiota, preguiçoso, lerdo e desnecessário. Acho que as pessoas nem
sentiriam a minha falta se eu de fato não estivesse mais aqui...
E assim eu continuo pensando, pensando que a minha seria
muito diferente se eu ganhasse na loteria e pudesse realizar alguns dos meus
caprichos, caprichos esses que a cada vez que eu imagino, quanto mais fácil é
para imaginar, mais distante eu sei que estou longe de realizá-lo.
Um dia, acho que no ano de 2014, ou teria sido no final de
2013, eu sonhei que havia ganhado um cheque, não lembro ao certo a quantia, mas
uma quantidade volumosa, algo entre R$10’000,00 e R$25’000,00. E sabe o que eu
disse? Aquilo foi uma surpresa pra mim! Eu disse algo como:
— Agora posso fazer faculdade...
Até hoje eu não tenho pretensões para fazer faculdade, não
faço ideia de que carreira eu poderia seguir ou me interessar. Mas, naquele
momento, eu disse que eu iria fazer faculdade. Eu não sei como! Talvez algo
dentro de mim soubesse o quanto isso seria importante agora e estava tentando
me avisar que isso seria um problema. Não sei... Sei apenas que não tenho
dinheiro para fazer faculdade, não tenho como seguir meus sonhos e só me
resta... Não sei o que me resta...
Sabe, eu tenho uma câmera digital, ela está quebrada, não
consegue focar, o resto funciona, mas o mais importante está quebrado. Eu
adorava tirar fotos, fazer alguns vídeos, aos poucos eu conseguia transformar o
mundo ao meu redor através do meu olhar. De certo que não era lá grande coisa,
contudo, era algo novo pra mim, algo interessante. E, com a sorte que eu tenho,
a câmera simplesmente quebrou, eu juro que não a deixei cair, eu apenas queria
tirar uma foto de um cachorro e a descobri quebrada. Sem mais nem menos! Quem
tem dinheiro prontamente irá dizer:
— Mande pro conserto!
Eu faria, se pudesse! Eu esperava que meu pai mandasse a
câmera para o concerto e que eu pudesse continuar a tirar minhas fotos. Acabou
que ele achou muito caro mandar concertar a câmera e me devolveu a câmera do
jeito que ela estava, na maior cara de pau... Senti-me desolado, não queria nem
olhar para o objeto. Agora ele está no meio da minha bagunça, ficará lá por
tempo indeterminado ou até que eu fique com tanta raiva de mim mesmo e termine
de quebrá-lo.
Mas, o que me desanima agora não isso...
Meu irmão mais novo, o trabalhador da casa, comprou uma
câmera digital nova pra ele. Isso acabou me lembrando da minha câmera e de como
eu a queria de volta, de como eu sou um inútil que não consegue concerta uma
maldita câmera e de como eu sou infeliz.
Quem sabe devo estar entrando em depressão ou simplesmente
não estou aguentando mais a pressão por ser infeliz. Sinto-me como se fosse a
minha própria câmera, o que é mais importante não funciona e não pode ser
concertado... Talvez ela ter quebrado tenha sido apenas um piada sem graça do
destino querendo imitar a minha vida...
O que você faz quando está triste?
Eu deveria sair de casa, dar uma volta, tomar um ar... Estou
há dias pensando nisso. Desde que voltei do Ceará só consegui sair uma única
vez, e foi o suficiente para criar o nome do blog: Eu Não Pertenço A Lugar
Nenhum (I Don’t Belong To Nowhere). A ideia era justamente essa, eu não
encontro um lugar para pertencer, afinal, mundo perfeitos não existem. Tudo o
que há por aí é efêmero, não durará muito e você se verá como um Eike Batista
da vida, num dia um bilionário, noutro você estará devendo até as calças.
Infelizmente, sair me custaria R$7 de passagem ônibus (R$3,50 para ir e outros
R$3,50 para voltar). Tudo o que eu tenho agora na carteira são R$10, isso não
dá pra comprar quase nada e eu tenho que pensar bem antes de ir a qualquer
lugar. Isto é, se houvesse um lugar...
*suspiro*
Não há nenhum lugar que realmente seja interessante para ir,
na maioria você gasta algum dinheiro... Eu não quero ter que gastar tudo e
ficar sem nada...
O que você faz quando está triste?
— Procure uma saída...
Eu estou tentando ver alguma luz no fim do túnel e, quanto
mais eu me movo, mais fundo eu entro na areia movediça... Não consigo me
segurar em lugar nenhum e estou vendo a hora que eu não vou mais conseguir
respirar se aproximando...
— Este é o fim. Segure a sua respiração e conte até dez.
Sinta a Terra tremer e então... Ouça meu coração explodir, de novo.
Se eu pudesse fazer algo bonito com naturalidade, talvez eu
não fosse tão infeliz, tenho vontade de cantar, mas minha voz, minha voz é
horrível...
Por hoje é só pessoal!
Eu não pertenço a lugar nenhum...
Até a próxima...
...
sábado, 28 de fevereiro de 2015
DIVIDIDO: O QUE EU QUERO FAZER E O QUE EU DEVO FAZER.
Acordei pela manhã ao lado da fogueira apagada. Num pulo, estava de pé, atento ao meu redor, procurando ter certeza de que ainda estava sozinho. Nas primeiras noites em que me arrisquei a dormir em um lugar desconhecido, sempre acordava com algo faltando, às vezes era uma bota, noutra todo o meu dinheiro. Cheguei a perder minha espada e meu escudo! Felizmente os recuperei antes que o ladrão os vendesse a alguém de quem eu não pudesse comprar de volta. Ufa! Foi um sufoco aquele dia! Desde então, quando vou dormir, procuro algum lugar calmo, afastado de vilas e cidades, que não tenha sinais de animais grandes ou pessoas e, depois de conseguir um pouco de lenha, faço uma pequena fogueira para tentar me manter aquecido durante a noite. Eu já tentei carregar comigo uma armação para fazer um barraquinha... foi a primeira coisa que me roubaram... com ela armada! Heh, viver nas terras selvagens e ir de um reino a outro sem conhecer ninguém é realmente complicado.
Me alivio no matinho, checo novamente se tudo está no lugar e verifico o mapa da região. Se tudo estivesse correto, eu chegaria a montanha dos lagartos de espinhos até o meio-dia. Os lagartos que vivem nesse lugar perfuram o solo em busca de metais que são usados em suas grossas carapaças e eventualmente deixam pedaços dela por todo lado, seja por brigas ou porque precisavam renovar as escamas. Nenhum outro animal consegue fazer o que eles fazem! O metal fica praticamente sem impureza nenhuma e para obter uma boa arma é preciso ter os melhores materiais. Se eu conseguir uns quatro ou cinco quilos, posso levá-los para o ferreiro mais próximo, trocar um pouco pela mão de obra e usar o resto para uma espada... quem sabe uma adaga, afinal, força não é um dos meus atributos mesmo. Parece que fora ontem que eu deixara a minha vila, que fizera dezoito anos e minha mãe me dera o velho armamento do vovô, uma espada velha, feita do mesmo metal que procuro, praticamente nova! E um escudo, um pouco pesado pra mim, feito de madeira com moldura de metal. Este último está meio acabado, cheio de marcas de golpes de espadas e buracos de flechas, mas permanece íntegro e ainda poderia aguentar uma bola de fogo ou duas. Espero não ter que enfrentar um mago pra ter certeza...
O caminho pela frente é longo, tortuoso e não me demorei mais. Talvez eu tivesse perdido uma ou duas horas da manhã - meu sono é tão pesado, que mesmo se uma manada de paquidermes de seis toneladas cada estourasse perto de mim, eu não acordaria - e chegar ao local marcado pudesse passar da hora do almoço. Estava preocupado, caso eu tivesse que entrar numa luta passando fome eu não teria chance alguma. A região não era de árvores frutíferas e não a conhecia para saber se realmente poderia haver alguma ou não. Era a minha primeira vez fora de casa, minha primeira aventura seguindo os passos do meu avô, um aventureiro como eu que por vezes conseguia um trabalhinho aqui, um servicinho ali, salvando princesas indefesas e matando dragões ferozes. Acho que boa parte do que meu avô me contava era mentira, talvez ele apenas tivesse feito parte de algum exército comum, conseguindo assim as marcas no escudo e quem sabe a espada esteja nova por ele nunca chegou a usá-la. Admito, também penso que o que eu fiz mesmo foi me meter numa grande enrascada sem precedentes e que eu possa acabar morto por não ter pisado no lugar certo, sem que ninguém, ao não ser as aves carniceiras, pudesse encontrar meu cadáver. Urgh... Sinto calafrios só de pensar!
Vejo no alto algumas aves de fogo aproveitando o calor dos dois sóis para se aquecer e acender seu típico rastro luminoso seguido por um filete de fumaça pelo azul do céu. Pelo que meu avô dizia, ele também havia visto estas aves ao se aproximar do ninho dos lagartos. Como um não tem problemas com o outro, eles convivem perfeitamente bem: os lagartos de espinhos avisam se um animal desconhecido se aproximar das florestas por terra e as aves sibilam, acuando qualquer intruso que possa ser visto do céu. O ferreiro iria adorar ver uma pena ou duas destas aves para colocar numa arma, pena que eu não tenho luvas de couro de salamandra ou bálsamos contra queimaduras... Por enquanto, o metal dos lagartos de espinhos é o único material raro que eu posso encontrar... Isto é, se eu encontrar! O vovô me disse que este lugar era meio isolado, mas pelo que pude ver, a vila mais próxima cresceu, virando uma grande cidade, tomando alguns quilômetros mata a dentro, quase que não consigo atravessá-la antes do anoitecer!
Certo, cabeça fria! Pela vontades dos deuses eu irei sair daqui com o meu pequeno tesouro e conseguir a minha primeira arma... que não tenha sido de mais ninguém... Pensando bem, será que mais ninguém está atrás do metal dos lagartos de espinhos? E se tiver alguém lá quando eu chegar? E se os lagartos não gostarem de mim? Pelo deuses! O que eu faço?! Eu tenho pouca prática em usar a aura para me defender! Certo, respira, respira, respira... Você consegue, cara, você consegue!
Diante de mim vejo um penhasco com cerca de vinte metros de profundidade com um rio largo lá embaixo. Olho para os lados e não vejo ponte ou árvore que pudesse me levar até o outro lado, são pelo menos trinta metros de distância. Eu poderia descer, nadar até o outro lado e subir de volta, no entanto, a correnteza se mostra muito forte, mesmo que eu consiga atravessar com esse escudo pesado - o que eu duvido muito - como vou trazer o metal comigo?! ARGH! Eu não vim até aqui pra morrer na praia! Quero dizer, ficar no penhasco! Vou ter que tomar outra direção, espero que a nascente não esteja muito longe da montanha... vou acabar demorando mais do que deveria... e morrer de fome... Puta merda! Mantenha a fé, mantenha a fé! Puta merda...
Acordo pela manhã, atordoado pelo barulho do despertador, arrependido por não poder sonhar mais um pouco. Me levanto sôfrego, vou até o banheiro e escovo os dentes. Eu não queria ter que me levantar, mas é o que eu preciso fazer todas as manhãs. Troco de roupa e coloco o uniforme da loja, uma camisa polo vermelha com o logotipo da empresa bordado em amarelo sobre o peito esquerdo. Respiro fundo, não tenho fome. A maioria das pessoas já estaria no segundo lanche naquela hora, porém, o que sinto mesmo é o meu estômago embrulhado, cheio de ansiedade e arrependimento.
Saio de casa, viro algumas esquinas e chego ao ponto de ônibus. Não demora muito e a condução chega, R$3,50 de passagem e fico de pé, apertado - o ônibus está lotado. Dentre uns quinze minutos chego ao Terminal de Ônibus, desço como todo mundo, quase corrento, atravessando para a outra plataforma para esperar o ônibus duplo sanfonado que vai até o centro da cidade. Uma fila enorme me esperava. Estava atrasado e havia um ônibus saindo. Assim que a fila terminou de entrar e a fila para o próximo ônibus se posicionava, entrei no ônibus que já estava partindo. Novamente me vejo no meio de várias pessoas, não há lugar para me escorar, fico em pé numa posição desconfortável, tentando olhar pela janela e aproveitar a paisagem que vejo todos os dias. Um novo prédio começou a ser construído, interessante...
O ônibus se aproxima do meu ponto, dou sinal e, depois que ele para, desço com mais dez pessoas que nunca vi na vida. Atravesso a rua e ando algumas quadras e chego a loja. O gerente me recebe com uma bronca:
- Você está atrasado...
- Desculpe-me, isso não irá se repetir... - tento me explicar, mas o gerente não estava de bom humor.
- É o que todo mundo diz! O José e a Laura faltaram hoje, serviço dobrado pra todos.
- Certo...
Fico quieto no meu lugar, esperando um cliente entrar na loja, ainda estava muito cedo e o movimento estava fraco. Duas horas depois o movimento muda, todos os vendedores começam a ficar ocupados constantemente e a falta daqueles dois começa a ser sentida. Eles são os melhores vendedores da loja e o gerente acaba fazendo vista grossa pra eles de vez em quando. Ele também adora tomá-los como exemplo para os demais vendedores, era como se eles conseguissem vender a loja inteira em um dia, enquanto eu levaria pelo menos um ano para fazer o mesmo. Eu sempre fico despreocupado, deixo o cliente escolher por conta própria, vejo atentamente o que ele quer e precisa. Ufa! Uma venda feita! Poucos minutos depois outro cliente aparece, este tem olhar de quem está em dúvida, apenas olhando. "Sem pressa, sem presa", eu penso. Ele abre a boca e me pergunta sobre o preço e eu lhe digo quanto custa. A dúvida ainda pairava sobre seu semblante. O gerente passa, fica de olho em mim com aqueles olhos de águia, me observando de longe, vendo se eu estou fazendo tudo direitinho. O cliente deixa a loja e vai para outra. Olho para o gerente e viro meu olhar rapidamente, pois ele estava fazendo aquela cara de "Por que você deixou o cliente ir embora?!". Eu respiro fundo, eu tenho meu próprio ritmo e eu não estou nenhum pouco a fim de ir além disso. Eu me sinto estranho conversando com outras pessoas, um pouco intimidado, entende? Eu mal consigo olhar nos olhos dos clientes, sempre acabo agindo mais por autocondicionamento do que por vontade própria. Passo meu dias assim, sentindo esse incomodo de que não estou no lugar certo, de estou indo e vindo sem sair do lugar, completamente perdido. Eu deveria me importar?
No horário de almoço, sou o último a sair. Vou a um restaurante self-service baratinho, escolho o que mais me agrada e me sento a mesa, solitário, pensando na vida. Peço ao garçom uma latinha de refrigerante depois de chamar sua atenção duas vezes. Talvez eu não devesse ter colocado tanta comida, já me sinto satisfeito e ainda falta um bocado no prato. Deixo a mesa e levo a latinha comigo. Uso o vale refeição no caixa e volto para o meu lugar na loja. Suspiro, tenho que continuar até o fim do dia.
Consegui mais duas vendas, coisas pequenas. Passo na sala do RH no fim do dia e pego o pagamento da semana. Noto uma nova diminuição do pagamento e vou falar com o gerente. Ele me dá desculpas, fala que a loja não está passando por uma época muito boa, que é preciso aguentar firme... Jogo na cara dele que o José e a Laura ganham cinco vezes mais que eu e só aparecem uma ou duas vezes por semana. Ele retruca me dizendo que eu não estou vendendo o suficiente e que eu posso ser despedido. Desisto. Passo no RH novamente e peço minhas contas. Eu não consigo ser um vendedor melhor do que aqueles dois afinal...
Vou para o ponto de ônibus triste, a fila está enorme, há pelo menos três filas de espera para os próximos ônibus. Suspiro. Dou meia volta e vou em direção a outro ponto de ônibus, este fica mais longe, é uma boa andada até lá, mas não fica tão lotado quanto aquele e eu posso ficar sentado a viagem inteira. O tempo até que eu chegasse em casa ficou em torno de três horas no fim das contas.
Chego ao portão de casa cansado, com a cabeça cheia, imaginando quando eu conseguiria um novo emprego. Dentro de casa vejo que meus pais compraram um fogão novo. Eles estão felizes que eu estou trabalhando e resolveram comemorar. Eu respiro fundo:
- Devolvam! - digo, resoluto.
- Mas...
- Devolvam! - repito, com mais raiva.
- Por quê?
- Não vou pagar por isso, saí do emprego...
- E agora? Já jogamos fora o fogão antigo... - diz meu pai.
- Merda! Será que vocês não podem pensar um pouco antes de ficar gastando dinheiro! CARALHO! - perco a paciência e viro a mesa com tudo que está em cima dela.
Meus pais ficam calados. Arranco a camiseta da loja pela cabeça e jogo fora. Coloco outra camisa e saio de casa.
- Aonde você vai? - pergunta minha mãe, aflita.
- Não sei! - grito pra ela.
Saio pelas ruas, andando sem rumo, sem saber o que fazer da minha vida. Quem sabe eu devesse cometer suicídio... É tão fácil pensar que isso resolve tudo! Quem sabe resolva...
Continuo andando, passo umas três horas andando, procurando lembrar de algum lugar que fosse interessante ir naquele horário tarde da noite. Fico cansado e resolvo tomar um ônibus para voltar pra casa.
Meus pais já estão dormindo, tomo um banho e visto uma roupa velha pra ir dormir. Na manhã seguinte, acordo sem querer acordar e fico me revirando. Penso que a vida deveria ter sido diferente, que eu fiz as escolhas erradas, que eu queria voltar a ser uma criança sem responsabilidades. Passo o dia inteiro na cama, não quero me levantar, não tenho motivos para me levantar... não tenho bons motivos para me levantar.
No dia seguinte, acordo cedo, tomo banho e coloco uma roupa pra sair. Minha mãe me vê saindo e pergunta:
- Vai aonde?
- Procurar emprego...
Agora que você leu estas duas histórias, talvez eu possa continuar a falar sobre a minha história. Se é que alguém se interessa por isso...
Escrevi estas duas histórias porque: o que eu quero fazer é escrever, gosto do estilo medieval fantástico e retratei o dia de um personagem comum, iniciante, que está aprendendo a lidar com o mundo ao seu redor e não tem que prestar contas a ninguém, ele faz o que quer, quando quer e pode ir a lugares fantásticos, um símbolo de liberdade, por assim dizer. Na segunda história retrato mais ou menos o que aconteceria comigo se eu conseguisse um emprego, o que eu deveria fazer, usando situações que já aconteceram comigo e tendem a se repetir. Eu realmente não lido bem com pessoas, não gosto da ideia de ter mais vontade de ir embora do que em chegar ao trabalho, não gosto de ficar preso nessa rotina sem sentido e definitivamente eu ficaria estressado... Na verdade, eu estou sempre estressado, tenho vontade de matar alguém, de ficar batendo repetidas vezes em seu cadáver só para gastar toda a raiva que venho acumulando. O mundo não faz sentido pra mim. Isso sem contar que a parte sobre os meu pais é bem parecida com a realidade, só que ao invés de fogão novo, que até não seria uma má ideia, uma vez que o nosso fogão tem mais de 15 anos de uso; meu pai inventou que quer vender queijos produzidos no Ceará e trazê-los para São Paulo junto de outras mercadorias, como carnes incomuns e exóticas. O único problema é que ele esta gastando mais dinheiro do que deveria! Eu nunca vi ele fazendo uma única conta de quanto ele vai conseguir se vender todos os queijos, ir morar no Ceará foi um completo fiasco, gastamos todo o dinheiro que foi conseguido com a venda de um terreno em outra cidade, e ele não percebe que está gastando dinheiro que não tem! Meu irmão é que está trabalhando de verdade aqui em casa e acumulou um boa quantia nos últimos meses e, como se não bastasse, meu pai está pegando dinheiro com o irmão dele para poder comprar a cama que está faltando, já que só há três camas para cinco pessoas na minha casa. Não, o pior não é isso... Ele está pensando em pegar um empréstimo no banco! Eu digo pra ele: "Pra pagar com que dinheiro?! Não pode esperar pelo menos pela aposentadoria da mãe, não?!" Como se ele ligasse... Argh...
No meio dessa confusão, sem dinheiro, sem saber o que fazer da minha vida, eu preciso encontrar um emprego, não tenho nenhuma formação que me possibilite um encaminhamento e, a cada dia que passa, me sinto mais alienado, perdendo a noção do tempo... Não tenho coragem pra realmente dar duro e escrever um livro atrás do outro, toda vez que me sinto pronto pra escrever, minha mãe me lembra que eu tenho que ir trabalhar, encontrar um emprego... É frustrante!
Nos últimos dias nem consigo pensar em comer direito, tenho apenas almoçado fora de hora e comido qualquer coisa como lanche para o jantar. Eu não consigo sentir fome... Vejo pessoas dizendo que já querem almoçar antes do meio-dia e não consigo entender como podem ter tanta vontade de comer... De certo que eu acabo almoçando mais de cinco horas da tarde, mesmo assim...
Não tenho ânimo para viver, nem estou depressivo o suficiente para fazer alguma besteira... - pensar assim já virou um hábito. O mês está acabando, está é a 10ª publicação no blog e não consigo ver valor algum na minha vida. Talvez ela não tenha nenhum mesmo...
Já não espero que haja alguma resposta para minhas angustias e devo ficar sem comentar sobre isso por um tempo, está ficando chato demais ser apenas chato... Tenho alguns textos antigos que nunca usei, gostaria de reciclar e publicar no blog no mês de Março, e, quem sabe, eu consiga juntar coragem pra escrever um livro no mês de Abril... Talvez seja melhor esquecer esse último, cortar meus dedos fora e me declarar insano logo...
Não sou feliz e não pertenço a lugar nenhum...
Até a próxima... Eu acho...
Tudo o que eu queria era ter o direito de ser eu mesmo... mas isso não passa de uma grande mentira...
No horário de almoço, sou o último a sair. Vou a um restaurante self-service baratinho, escolho o que mais me agrada e me sento a mesa, solitário, pensando na vida. Peço ao garçom uma latinha de refrigerante depois de chamar sua atenção duas vezes. Talvez eu não devesse ter colocado tanta comida, já me sinto satisfeito e ainda falta um bocado no prato. Deixo a mesa e levo a latinha comigo. Uso o vale refeição no caixa e volto para o meu lugar na loja. Suspiro, tenho que continuar até o fim do dia.
Consegui mais duas vendas, coisas pequenas. Passo na sala do RH no fim do dia e pego o pagamento da semana. Noto uma nova diminuição do pagamento e vou falar com o gerente. Ele me dá desculpas, fala que a loja não está passando por uma época muito boa, que é preciso aguentar firme... Jogo na cara dele que o José e a Laura ganham cinco vezes mais que eu e só aparecem uma ou duas vezes por semana. Ele retruca me dizendo que eu não estou vendendo o suficiente e que eu posso ser despedido. Desisto. Passo no RH novamente e peço minhas contas. Eu não consigo ser um vendedor melhor do que aqueles dois afinal...
Vou para o ponto de ônibus triste, a fila está enorme, há pelo menos três filas de espera para os próximos ônibus. Suspiro. Dou meia volta e vou em direção a outro ponto de ônibus, este fica mais longe, é uma boa andada até lá, mas não fica tão lotado quanto aquele e eu posso ficar sentado a viagem inteira. O tempo até que eu chegasse em casa ficou em torno de três horas no fim das contas.
Chego ao portão de casa cansado, com a cabeça cheia, imaginando quando eu conseguiria um novo emprego. Dentro de casa vejo que meus pais compraram um fogão novo. Eles estão felizes que eu estou trabalhando e resolveram comemorar. Eu respiro fundo:
- Devolvam! - digo, resoluto.
- Mas...
- Devolvam! - repito, com mais raiva.
- Por quê?
- Não vou pagar por isso, saí do emprego...
- E agora? Já jogamos fora o fogão antigo... - diz meu pai.
- Merda! Será que vocês não podem pensar um pouco antes de ficar gastando dinheiro! CARALHO! - perco a paciência e viro a mesa com tudo que está em cima dela.
Meus pais ficam calados. Arranco a camiseta da loja pela cabeça e jogo fora. Coloco outra camisa e saio de casa.
- Aonde você vai? - pergunta minha mãe, aflita.
- Não sei! - grito pra ela.
Saio pelas ruas, andando sem rumo, sem saber o que fazer da minha vida. Quem sabe eu devesse cometer suicídio... É tão fácil pensar que isso resolve tudo! Quem sabe resolva...
Continuo andando, passo umas três horas andando, procurando lembrar de algum lugar que fosse interessante ir naquele horário tarde da noite. Fico cansado e resolvo tomar um ônibus para voltar pra casa.
Meus pais já estão dormindo, tomo um banho e visto uma roupa velha pra ir dormir. Na manhã seguinte, acordo sem querer acordar e fico me revirando. Penso que a vida deveria ter sido diferente, que eu fiz as escolhas erradas, que eu queria voltar a ser uma criança sem responsabilidades. Passo o dia inteiro na cama, não quero me levantar, não tenho motivos para me levantar... não tenho bons motivos para me levantar.
No dia seguinte, acordo cedo, tomo banho e coloco uma roupa pra sair. Minha mãe me vê saindo e pergunta:
- Vai aonde?
- Procurar emprego...
Escrevi estas duas histórias porque: o que eu quero fazer é escrever, gosto do estilo medieval fantástico e retratei o dia de um personagem comum, iniciante, que está aprendendo a lidar com o mundo ao seu redor e não tem que prestar contas a ninguém, ele faz o que quer, quando quer e pode ir a lugares fantásticos, um símbolo de liberdade, por assim dizer. Na segunda história retrato mais ou menos o que aconteceria comigo se eu conseguisse um emprego, o que eu deveria fazer, usando situações que já aconteceram comigo e tendem a se repetir. Eu realmente não lido bem com pessoas, não gosto da ideia de ter mais vontade de ir embora do que em chegar ao trabalho, não gosto de ficar preso nessa rotina sem sentido e definitivamente eu ficaria estressado... Na verdade, eu estou sempre estressado, tenho vontade de matar alguém, de ficar batendo repetidas vezes em seu cadáver só para gastar toda a raiva que venho acumulando. O mundo não faz sentido pra mim. Isso sem contar que a parte sobre os meu pais é bem parecida com a realidade, só que ao invés de fogão novo, que até não seria uma má ideia, uma vez que o nosso fogão tem mais de 15 anos de uso; meu pai inventou que quer vender queijos produzidos no Ceará e trazê-los para São Paulo junto de outras mercadorias, como carnes incomuns e exóticas. O único problema é que ele esta gastando mais dinheiro do que deveria! Eu nunca vi ele fazendo uma única conta de quanto ele vai conseguir se vender todos os queijos, ir morar no Ceará foi um completo fiasco, gastamos todo o dinheiro que foi conseguido com a venda de um terreno em outra cidade, e ele não percebe que está gastando dinheiro que não tem! Meu irmão é que está trabalhando de verdade aqui em casa e acumulou um boa quantia nos últimos meses e, como se não bastasse, meu pai está pegando dinheiro com o irmão dele para poder comprar a cama que está faltando, já que só há três camas para cinco pessoas na minha casa. Não, o pior não é isso... Ele está pensando em pegar um empréstimo no banco! Eu digo pra ele: "Pra pagar com que dinheiro?! Não pode esperar pelo menos pela aposentadoria da mãe, não?!" Como se ele ligasse... Argh...
No meio dessa confusão, sem dinheiro, sem saber o que fazer da minha vida, eu preciso encontrar um emprego, não tenho nenhuma formação que me possibilite um encaminhamento e, a cada dia que passa, me sinto mais alienado, perdendo a noção do tempo... Não tenho coragem pra realmente dar duro e escrever um livro atrás do outro, toda vez que me sinto pronto pra escrever, minha mãe me lembra que eu tenho que ir trabalhar, encontrar um emprego... É frustrante!
Nos últimos dias nem consigo pensar em comer direito, tenho apenas almoçado fora de hora e comido qualquer coisa como lanche para o jantar. Eu não consigo sentir fome... Vejo pessoas dizendo que já querem almoçar antes do meio-dia e não consigo entender como podem ter tanta vontade de comer... De certo que eu acabo almoçando mais de cinco horas da tarde, mesmo assim...
Não tenho ânimo para viver, nem estou depressivo o suficiente para fazer alguma besteira... - pensar assim já virou um hábito. O mês está acabando, está é a 10ª publicação no blog e não consigo ver valor algum na minha vida. Talvez ela não tenha nenhum mesmo...
Já não espero que haja alguma resposta para minhas angustias e devo ficar sem comentar sobre isso por um tempo, está ficando chato demais ser apenas chato... Tenho alguns textos antigos que nunca usei, gostaria de reciclar e publicar no blog no mês de Março, e, quem sabe, eu consiga juntar coragem pra escrever um livro no mês de Abril... Talvez seja melhor esquecer esse último, cortar meus dedos fora e me declarar insano logo...
Não sou feliz e não pertenço a lugar nenhum...
Até a próxima... Eu acho...
Tudo o que eu queria era ter o direito de ser eu mesmo... mas isso não passa de uma grande mentira...
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
CRÔNICA: NADA É IMPOSSÍVEL, CONTUDO, SOMOS LIMITADOS
Aquela velha frase daqueles que tiveram sucesso: "Nada é impossível". Será mesmo? Ou isso só quer dizer que a maioria dos seres humanos é preguiçosa e quando deveria continuar batalhando para conseguir alcançar seus sonhos, desiste antes mesmo de chegar na metade do caminho? É de se pensar...
Estive imaginando o quanto crescer num ambiente limitado pode te tornar limitado. Claro, isso é relativo, existem pessoas que tinham pouco e hoje tem muito, da mesma forma que pessoas que tinham muito não possuem quase nada hoje. Mas, o que quero dizer é, com relação a temática do blog, falando sobre mundo ideais e fictícios, o quanto será que as limitações influenciam na capacidade de alguém ultrapassar suas limitações ou, pelo contrário, se limitarem mais ainda?
Penso nisso porque vejo em São Paulo, uma das cidades mais superpopulosas do mundo, pouquíssimos espaços para crescer. Na rua onde moro atualmente, boa parte das casas não possuem quintal e vejo as crianças saírem para brincarem nas ruas. Se por um lado isso dá a liberdade para a criança crescer, correr, brincar, etc., isso também dá a elas vazão para fazerem o que quiserem, uma vez que os pais costumam "estar ocupados demais para cuidar dos filhos o tempo todo". O ideal, deveras, era poder crescer de forma saudável, mas acho difícil simplesmente dizer que isso acontece por causa dessa limitação de espaço. E não são poucas pessoas, são milhões de pessoas que crescem de "forma irregular".
Eu, por exemplo, não tive o problema de crescer sem espaço, até pouco tempo atrás eu não vivia cercado por casas, eu podia ver São Paulo de forma livre e observar o horizonte. Agora, o "progresso" chegou, minha casa foi modificada e o meu espaço, limitado. Ou seja, isso não fazia parte da minha maneira de ver o mundo e ainda tenho que me acostumar com a ideia de que não sou mais livre, estou rodeado por paredes. Em contrapartida, não é essa a minha limitação...
Tenho duas grandes limitações: família e dinheiro. Enquanto há pessoas que são extremamente felizes com a família que tem, que não trocariam nenhum parente por nada nesse mundo, eu gostaria que pelo menos uma pessoa na minha família tivesse trilhado "o caminho ideal" da vida. Tivesse feito faculdade, conseguisse ter sucesso em sua profissão e fosse um exemplo para os outros. Ninguém da minha família, entre pais, tios e tias, fez isso: cursou a faculdade, trabalhou para conseguir o sucesso e hoje é uma referência na profissão; diferente disso, a maioria trabalha por conta, faz o seu próprio trabalho e vive do jeito que der, ganhando o quanto pode, sempre vivendo disso e daquilo, nunca de forma uniforme, por assim dizer. Eles trabalham duro, vão trabalhar constantemente e sempre garantem o dinheiro no final do mês, não estou contestando isso. Estou dizendo que para eles estudar não é algo importante, nem nunca foi, nunca tiveram dores de cabeça para passar no vestibular, não sabem o que é um trabalho de conclusão de curso e muito menos sabem do que se trata o conteúdo de uma faculdade. São mundos completamente diferentes... e adivinhe de que lado eu gostaria de estar? Vou dar uma dica, não é com eles...
O outro fator que limitou a minha vida, como disse antes, foi o dinheiro. Minha mãe é "dona de casa" e meu pai vive de forma tão indefinida que eu não consigo dar um nome, atualmente ele é vendedor de queijos que traz do Ceará (OBS.: Não temos dinheiro para comprar esses benditos queijos e mesmo assim ele quer continuar com isso). Os dois não terminaram a escola e, quando eu tive a oportunidade de entrar numa escola técnica, como filho mais velho, me disseram não, que ia ser caro, algo assim. Meus irmãos não tiveram a mesma sorte, eles cursaram a escola técnica e hoje são técnicos em administração (meu irmão) e eletrônica (minha irmã). Eu tentei Design de Interiores, pois era um curso parecido com a Arquitetura, curso que me interessava, e acabou que o custo para o material do curso estava muito fora do orçamento familiar. Eu precisava de pelo menos uma prancheta para prosseguir normalmente (neste caso, prancheta é uma mesa grande, inclinável, com uma régua paralela, grande, que vai praticamente de um lado ao outro dessa mesa na horizontal, vide imagem).
Isto sem contar que na época não tínhamos computador, se eu quisesse fazer uma pesquisa eu precisava ir até uma Lan House, gastar algo em torno de R$6 por 6 horas de internet (isso era um pacote, e só ficava disponível pela manhã, fora desse horário o preço era de R$2 a hora). Eu nem fazia ideia do que realmente era uma pesquisa, pra mim era tudo "copie e cole, leia se possível". Vi várias Lan Houses abrirem na época e praticamente nenhuma sobrar hoje em dia - incluindo a Lan House onde eu pagava barato, que fechou no meu segundo semestre. Além de não ter acesso ao material físico para poder fazer o curso, eu não tinha acesso ao material de pesquisa e, para se concluir o curso de Design de Interiores, isso não poderia faltar!
Eu trabalhei durante um bom tempo como vendedor, no começo, entre 12 e 15 anos (não lembro ao certo) era apenas aos sábados, posteriormente eu viria a trabalhar também de segunda a sexta após o horário de aulas. Antes de começar o 3º ano do ensino médio, porém, eu não quis mais trabalhar, aquilo não era vida pra mim... Em suma, eu tive bastante dinheiro durante essa época, afinal era tudo pra mim, e quando precisei para o curso, não sobrou nada...
O dinheiro é uma limitação traiçoeira, e por isso há pessoas que, mesmo sem serem gananciosas, sabem que tudo é dinheiro. O dinheiro é o que nos possibilidade trocar, de uma forma comum, trabalho e produto. Você trabalha e assim pode adquirir produtos necessários a vida e ao lazer - essa é a regra da sociedade. Fora dela, a única forma alternativa possível seria conviver numa sociedade em que a troca seria sempre justa, ninguém precisaria do dinheiro pra nada, não haveria fome, sede, todo mundo se ajudaria - o que é improvável. Senão, viveríamos como selvagens, se alguém passasse fome e eu tivesse uma propriedade com produção farta, provavelmente eu seria roubado ou alguém iria querer tomar para si a minha propriedade - o que seria o mesmo caos da antiguidade, onde se dizia que metade da população era constituída por ladrões. O dinheiro se tornou a melhor tentativa até hoje de convivermos de forma comum, apesar de ser o mesmo dinheiro que cause tanta diferença entre as pessoas e as chamadas classes sociais. O dinheiro nos liberta, ao passo que nos limita...
Antes de fazer minhas últimas considerações, eu gostaria de citar o efeito positivo que viver sem limitações no bom sentido pode causar: Bibi Ferreira - atriz, cantora, diretora e compositora brasileira, filha do ator Procópio Ferreira e da bailarina Aída Izquierdo, tendo hoje 92 anos e boa parte deles no palco. Não digo que ela não tivesse as limitações e os problemas que todo mundo tem, que não tivesse batalhado para estar no lugar em que está, mas, o que ela se tornou hoje já vem de família e de como ela cresceu. Me lembro dela comentar que sua carreira como atriz começou sem querer ainda muito jovem, pois teria contracenado numa peça como boneca na última hora, algo assim, e que vivia rodeada pelos amigos artistas dos pais. Era praticamente como se o teatro, seu local de trabalho, tivesse sido seu destino desde o começo. No meio de uma família de artistas é natural que isso aconteça e isso só aumentou as possibilidades para ela ser o ícone que é hoje. Não há a menor possibilidade para Bibi viver fora do palco, é lá que ela se realiza e vive a plenitude do seu ser. Todos nós procuramos por uma vida assim... por que não conseguimos encontrar?
Eu só sei que, apesar de não ter pais que se importem com o que eu faço, de não ter dinheiro ou trabalho para seguir em frente, de nem ao menos saber quem são as pessoas que irão ler este pequeno texto, eu queria ter a certeza de que estou no caminho certo, de que não estou sendo preguiçoso por estar em dúvida entre começar a trabalhar sem saber com o quê ou continuar a ser um simples blogueiro que escreve porque gosta. Eu estou rodeado por pessoas que só sabem trabalhar e trabalhar, que trabalham porque precisam, que apenas trabalham... Simples assim, sem ter algum sentido ou razão interior.
Onde eu trabalhei, meus tios já trabalhavam há umas duas décadas e trabalham até hoje. A mesma rotina, acordar cedo de segunda a sábado, exceto em feriados oficias - por vezes trabalhando em dias que a rua toda está praticamente fechada e eles estão lá, trabalhando. Voltam só a noite, às vezes se dando ao luxo de assistir a novela e/ou ao jornal da Globo e vão dormir. Aos sábados e determinados dias do ano ficam até as duas ou três horas da tarde e podem aproveitar um tempinho a mais com as esposas... Se é que se pode dizer isso depois de estarem cansados de uma longa semana de trabalho. Férias? De vez em quando, raramente para ser mais preciso, eles se ajeitam para passar alguns dias sem trabalhar... Enfim, eles não tem faculdade, de origem pobre e pode-se dizer que progrediram em suas vidas, possuem casa própria e constituíram família...
Heh, me descobri a ovelha negra da família, não sou um rebelde sem causa, mas ainda assim um rebelde, alguém que luta sozinho para sair de suas limitações, para encontrar seu lugar, mesmo que ele não exista...
Eu não pertenço a lugar nenhum...
Até a próxima! :o]
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
CRÔNICA: TENHO 24 ANOS, SEM FACULDADE E QUERO TRABALHAR. E AGORA?
*suspiro*
E lá vamos nós outras vez pelo inquietante mundo de Victório Anthony... Eu me sinto a pessoa mais chata do mundo tendo que falar, e só falar, de problemas. As pessoas não gostam de problemas, ninguém gosta de problemas, todo mundo quer soluções! Mas está difícil...
Onde eu moro, tem uma garagem que fica no nível da rua e subia-se uma escada para o outrora quintal ligado a lage acima da garagem que fazia parte da minha infância - era um local enorme, que tinha uma ótima vista, de onde se podia ver os prédios do centro de São Paulo. Esse lugar não existe mais... No lugar, tomando todo o espaço, uma casa foi erguida para o filho do meu tio e dono da casa... Antes da minha vida virar de ponta cabeça de vez por causa da mudança para o Ceará, naquele quintal e naquela lage, eu saía no meio da madrugada para respirar e pensar - era um momento de alívio dessas minhas constantes preocupações. Ali eu podia simplesmente admirar a calma da cidade, momento raro de uma cidade conturbada onde as pessoas acordam pela manhã para ir trabalhar e só voltam a noite. Ali eu respirava e conversava comigo mesmo, debatia durante um bom tempo assuntos diversos, sem esperar que alguém ouvisse ou se importasse, era eu e apenas eu... Agora eu tenho que me contentar com a lage da nova casa, onde não há proteção alguma e acidentes podem acontecer. Não me sinto confortável em fazer isso, mesmo assim eu preciso, não há outro lugar onde eu possa fazer isso...
O que eu quero contar desta vez é que eu olho para o horizonte, vejo o enorme tamanho dessa cidade e não consigo imaginar onde eu possa me encaixar... Lembra-se do título do blog? "Não pertenço a lugar nenhum"? Pois é, não é apenas uma simples figura de linguagem, é a minha situação como pessoa.
Acho que tudo isso começou quando eu comecei a trabalhar como vendedor na Santa Ifigênia, região famosa pela venda de eletrônicos e afins, e não guardei nada para mim. Não que eu ficasse gastando com roupas e outras coisas, eu até ficava um bom tempo andando pelas lojas que eu gostava antes de comprar qualquer coisa, mas o que eu gostava mesmo de fazer na época era comprar mangás (história em quadrinhos japonesa), pra mim o maior prazer do mundo era começar a ler e deixar essa realidade. Era como se eu entrasse na história e, não importasse onde eu estivesse, se em casa ou no ônibus em movimento, eu estava em outro lugar. Como os mangás de sucesso ganham suas animações e pude acompanhar algumas na época, eu já cheguei a ficar em dúvida se eu havia lido ou assistido, de tão entretido que a leitura era para mim. Foi nisso que eu acabei investindo o meu dinheiro. Eu não gostava da ideia de comprar roupas novas como a maioria, eu gostava mesmo era de uma boa história... Infelizmente, o assunto não é esse, eu preciso fazer algo da minha vida...
Eu não fiz faculdade, do jeito que as coisas sempre foram pra mim, fiz um vestibular que me pareceu interessante e só, nunca nem pensei em realmente tentar entrar numa faculdade. Talvez eu nem tivesse conseguido terminar, mas pelo menos agora eu teria uma direção, quem sabe... O fato é que eu fiquei preso num circulo vicioso: eu preciso estudar pra trabalhar e trabalhar para estudar. Nenhum curso é barato, sempre há investimentos que precisam ser feitos mesmo quando o curso é de graça. Não faço ideia do porque desse ser o sistema oficial quando ele não serve a quem precisa, do porque quando você procura por emprego, a maioria das empresas pedem experiência, se há pessoas que nunca tiveram oportunidade para trabalhar... Há programas do governo que tentam resolver isso, contudo, além de que eu estou velho de mais, eles não prestam de verdade... Eu fiz dois cursos básicos, eram interessantes, aprendi alguma coisa, mas não era o bastante, era algo, irrisório. No curso de informática básico, o material era um lixo, quase infantil, que nem foi aproveitado e a maior parte do conteúdo eu já conhecia. No outro curso básico que tive a oportunidade de ir, foi um pouco melhor. Era um curso de marcenaria não muito longe de casa, pude fazer um raque desses pra televisão e uma mesinha de centro, Foi o melhor curso que tive o prazer de terminar, mesmo que curtíssimo... E depois que eu terminei foi que eu entendi que ele não bastava. Fui chamado para entrevistas de emprego em marcenarias longe de casa, na segunda eu consegui entrar em experiência por uma semana... não durei um dia. Eu não fui despedido ou fiz algo errado, eu apenas fiquei tão exausto que tremia sem me aguentar. Consegui suportar até o final do dia e dizia para mim mesmo que não iria mais voltar. No dia seguinte eu estava com muitas dores pelo corpo...
Será que um curso realmente te prepara para o mercado de trabalho?
A resposta para isso é curta e grossa: NÃO. Nenhum curso te prepara para nada, ele apenas te presta conhecimento e VOCÊ e somente VOCÊ é que irá descobrir o que fazer com ele, VOCÊ é que deverá ter a vontade de seguir enfrente e fazer valer a sua pessoa. O curso NUNCA fará isso por você.
Então, para que serve estudar então?
O estudo é uma direção. Com ele você sabe o que pedir para ser empregado. Se você faz curso de marcenaria, você irá procurar emprego numa marcenaria; se você faz curso de administração, você poderá procurar emprego num escritório; se você fez curso de gastronomia, você procurará um restaurante para trabalhar; e por aí vai... Eu fiz um cursinho básico de informática e um de marcenaria (fora os de Design de Interiores e Administração que não terminei) e sabe quantas vagas de emprego estão interessadas nisso? NENHUMA. Mesmo que eu esteja apenas sendo pessimista, nenhuma empresa, pelo que eu saiba, se preocupa com o empregado em primeiro lugar, elas não querem ouvir a sua história e depois te ajudar...
Uma das coisas que eu achei muito diferente da cultura japonesa sobre o trabalho é que, por um motivo que eu não sei qual é, há o costume dos novos empregados se apresentarem aos clientes dizendo "eu sou o novo emprego, cuide bem de mim". Eu, francamente, não entendo... Isso não existe no Brasil! Sei que os japoneses são a imagem da polidez e educação, e isso é apenas reflexo de pessoas que agem de forma regrada, mesmo assim, é um cuidado bem maior do que eu consigo imaginar para o mercado de trabalho no Brasil.
Quando eu procuro emprego por um site de empregos a primeira coisa que eles pedem é "que cargo você procura"? Isso me irrita! Eu não sei que tipo de emprego eu realmente quero! Eu não pude estudar e agora me contro sem rumo... E o que é pior, é obrigatório que você use a categoria que você quer... Então o que me resta e catar no meio das possibilidades oferecidas pelo site por uma categoria neutra, como ajudante. Tudo bem, eu coloquei assim e fui ver o que o site oferecia. Me deparei com algo tão ridículo que eu deveria escrever um livro satirizando a forma como as empresas querem que o candidato seja, comparar com a realidade e mostrar que nem ao menos o anuncio foi feito de maneira adequada! Exemplo, na última visita que fiz ao site, procurei por uma vaga diferente: estoquista. Eu tenho uma certa mania de querer colocar os produtos das prateleiras do mercado no lugar (mesmo que o meu pseudo-quarto nunca esteja arrumado) e resolvi que essa poderia ser uma colocação melhor que simplesmente ajudante. Haviam apenas duas vagas, uma parecia ser bem interessante. Quando fui ler, estava escrito algo como: para loja na Zona Norte e que só pegue uma condução. Até aí mantive o interesse e fui verificar, por pesquisa no Google, qual era o endereço da loja, já que o anuncio é tão curto que não ajuda em nada. Sabe o que eu descobri? Há mais de uma loja na zona norte! Ou seja, eu provavelmente terei de pegar duas conduções, pois nem há uma loja dessas perto de casa... Essa confusão foi brochante, como a maioria dos anúncios de emprego são pra mim...
Afinal, qual é o meu problema?
Eu não quero nenhum desses empregos que aparecem por aí... Meu primeiro emprego foi como vendedor, eu sou tímido, introvertido e me sinto um idiota toda vez que começo a falar com alguém, pois parece que eu estou falando demais, falando o que não devia... Não me sinto bem em trocar ideias com as pessoas, justo o que é a alma do negócio de vendas. Não quero trabalho pesado, o único dia em que fui trabalhar como marceneiro me mostrou que eu precisava fazer academia pra conseguir começar a fazer algo do gênero. Eu não tenho experiência em carteira, nem fiz um curso numa faculdade... O que sobra? Nada, eu acho... Praticamente não há necessidade de pessoas para trabalhos do gênero que eu procuro e me parece que as empresas que poderiam procurar por pessoas novas para isso não fazem anúncios com tanta frequência... O sistema não consegue ser construtivo, ele está solto, embolado, e não há ninguém que possa resolver esse problema, pois a maioria das pessoas sabe o que fazer da vida e, por necessidade, fará qualquer coisa para conseguir o que quer. O mercado de trabalho é competitivo, voraz, e eu sou apenas um cara simples que não quer ter que brigar por nada...
O que eu realmente gosto de fazer?
É o que você acabou ler! Eu gosto de escrever, faço isso compulsivamente, falando sem parar, tentando me explicar e ser entendido, quando o muito que consigo é deixar tudo mais confuso.
E então?
O Brasil não valoriza escritores... Todo escritor no Brasil tem um "trabalho de verdade", por assim dizer. Ser escrito é o hobby dos escritores. De certo que há escritores que fazem sucesso e se mantém da escrita, mas não há empresas procurando por eles, as editoras não querem autores nacionais, o que elas querem mesmo são livros que se tornem best sellers, elas não se importam com os autores até que eles provem serem interessantes. Eu não tenho todo o tempo do mundo... eu preciso de algo para agora, para ontem, algo que me dê dinheiro já.
A dúvida eterna...
Ser feliz ou fazer o que é preciso? Alguns podem pensar: "por que não os dois?", é, eu também poderia pensar em algo assim... se eu soubesse do que isso se trata... Eu vivo num mundo em que nada faz sentido pra mim, sinto como se eu tivesse que abandonar completamente quem eu sou para ser o que eu não quero ser e somente assim conseguir trabalhar. Eu só consigo imaginar empregos que irão me tomar o meu tempo e me deixar estressado, incapaz de sonhar... Eu sou neurótico, como pode ver, cara leitor, pelo que eu me conheço eu sei que se eu não encontrar uma válvula de escape eu vou explodir a qualquer momento... Não é porque eu estou em casa, no notebook, que eu estou menos estressado, pelo contrário! Eu só consigo ficar pensando em tudo isso que eu te disse e não encontrar uma única saída viável, eu travo completamente, não tenho uma única referência para me guiar...
Eu sou um idiota, admito, um ser anormal que... não pertence a lugar nenhum... É o que eu sou, anormal, tão diferente que até os anormais me acham um idiota porque eu não consigo resolver o problemas mais simples que "qualquer um consegue resolver".
Às vezes eu realmente acredito que não posso pertencer a este lugar, que eu deveria desistir de tudo e esquecer toda essa idiotice minha...
Estou começando a ter medo das pessoas, a me fechar cada vez mais, não devo nem ser mais a sombra do garoto animado que não sabia do que a vida se tratava e começou a trabalhar de qualquer jeito, sem saber exatamente o que deveria fazer e conseguia fazer isso sem maiores problemas. Agora esse garoto cresceu e não consegue lidar com as próprias emoções. Minha mente diz uma coisa, meu coração diz outra e nunca chegam a um acordo. Estou dividido, triste, desesperado, procurando por uma saída que pudesse me salvar...
Nos meses de Abril, Julho e Novembro, todos os anos, um site americano conhecido por NaNoWriMo - que seria a abreviatura para "mês nacional para escrever um livro" em inglês, promove entre os escritores que eles escrevem um livro inteiro dentro de um mês - pelo menos 50 mil palavras. Ano passado eu participei da edição de Novembro e consegui escrever as 50 mil palavras mínimas... Mas ainda não terminei o livro. Por um simples motivo, minha cabeça está num espiral interminável de preocupações com o futuro e isso apaga completamente a minha capacidade de criar mundos. O máximo que eu consigo fazer é escrever crônicas e textos genéricos, colocar pra fora as minhas inquietações, já que ninguém nunca se importou com elas... Eu só consigo dizer "eu não sei"quando me perguntam mesmo...
Eu não queria me arrepender do que eu faço, do que eu gosto de fazer, mas o tempo passa, e você vai ficando com vergonha de si mesmo, se sentindo um cretino preguiçoso que não consegue levar nada a sério...
Por enquanto, tentarei pensar em alguma outra coisa...
Eu não pertenço a lugar nenhum...
Até a próxima... :o\
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
CRÔNICA: O QUE É O AMOR?
O que é o amor?
Para muitos é tão simples dizer que é isso ou aquilo... Para
mim não é fácil dizer, me ocorrem tantas ideias que nem ao menos consigo
dizê-las sem pecar em algum momento, sem me atravessar e dizer algo que na
realidade não é dessa forma. Talvez, enquanto não amamos, temos tanto amor
guardado que acabamos sendo os melhores conselheiros amorosos, verdadeiros
psicólogos do coração. E, no entanto, quando amamos, ou deveríamos amar, nos
esquecemos de dar carinho, compreensão, de sermos ao menos educados, e então
trocamos olhares de raiva e não suportamos estarmos no mesmo local que a pessoa
que supostamente amamos.
O amor acaba?
Possivelmente há algo que começa, arrasa a sua vida e
termina em algum momento, mas não chamemos isso de amor, deixemos o amor ser
aqui aquele sentimento puro e prometido as “almas gêmeas”, as pessoas que
merecem uma a outra e que são doentes uma pela outra, que sentem que o parceiro
é uma extensão de si mesmo. Por quê? A resposta é simples: o amor foi
banalizado, jogado de lado, o sexo é mais urgente, a paixão é mais urgente,
usar alguém é mais urgente; o amor, o ato de colocar o bem de outrem em primeiro
lugar, é deixado para outros tipos de situações, como trabalhar como voluntário
ajudando os menos favorecidos, cuidar de parentes idosos até o fim da vida,
etc.
Não há momento na vida em que mais se pense em amar do que
no momento em que se está sozinho. O amor, por capricho, nasce primeiro na
fantasia, no amor platônico, aquele que não é necessário estar ao lado de
ninguém para existir, ele apenas está lá, te atormentando, te fazendo chorar ao
ver um filme romântico que seria perfeito se não fosse pura ficção. Através
dessa fagulha, acaba por nascer a paixão, o toque alvoroçado de dois corpos que
se conectam e deixam de ser dois para se tornar apenas um.
...
No meio da balada, a moça de vestido vermelho olha para um
rapaz bem apessoado, músculos salientes e jeito de homem forte. “Eu quero esse”,
pensa ela. Os dois se apresentam rapidamente, o som da música é muito alto, os
dois quase não conseguem se ouvir e se beijam pela primeira vez. Os lábios dos
dois ficam juntos por horas, quase como se estivessem colados. Ele passa a mão
por onde bem entende e ela quer que ele faça isso. Os dois vão para o banheiro
e fazem ali mesmo, sobre a privada, naquele cubículo apertado. Os dois gemem de
prazer e terminam a noite exaustos.
— Foi bom
pra você? — pergunta ele.
— Hahah...
— ri ela rapidamente. — Foi ótimo! — ela abre a bolsa, tira um cartãozinho com
seu nome e telefone, e o entrega a ele, antes de se despedir com uma piscadela. — Me liga gato!
Ela o deixa sozinho, arrumando o cinto ao redor da calça.
Ele se olha no espelho, sorri confiante e diz para si mesmo:
— Ainda dá
tempo de pegar mais uma!
Do lado de fora, a moça encontra um táxi passando, faz sinal
para o taxista parar e vai direto para casa. Ela liga o celular e usa a câmera
frontal como espelho, sendo iluminada pela luz da tela, tentando ver o quanto o
batom estava borrado. Estava satisfeita, ainda sentia a adrenalina percorrer o
seu corpo. Recostou a cabeça no banco, relaxando, e pensou consigo mesma: “Ter
pegado AIDS foi a melhor coisa que pôde me acontecer...”.
...
O que você acabou de ler, caro leitor, é apenas uma
interpretação minha de uma das várias histórias que correm por aí, uma lenda
urbana, se preferir, onde um aidético percorre as festa noturnas a procura de
desavisados e, de alguma forma, seja através de sexo ou até pelo uso de uma
seringa, decide se vingar de cada pessoa que se pareça com aquela que a
infectou com este vírus terrível. Aqui não cabe uma avaliação da minha
qualidade como escritor, é apenas uma história que surgiu do andamento dos meus
pensamentos a cerca do amor. O amor...
Será que o amor existe?
Não estou perguntando pelo amor dedicado as outras pessoas
sem olhar a quem, que é muito bonito também; estou perguntando pelo amor entre
duas pessoas, o amor que estive comentando antes de desenrolar a relação destrutiva
que pode acontecer aos desavisados, aos descuidados que pregam que são capazes
de amar qualquer um, quando na verdade estão usando as pessoas para saciar seus
interesses sexuais. Estou falando daquela relação construída entre duas pessoas
que se importam uma com a outra e que conseguem conviver bem nos momentos bons
e, principalmente, nos ruins. Por algum motivo idiota, esse tipo de amor é
muito pouco valorizado, é considerado “coisa de velho” envelhecer ao lado de
alguém, permanecer ao seu lado e lutar para construir uma relação forte.
Lembro-me de uma história, acho que tem até um filme, em que
um casal pobre quer dar um presente um para o outro. Ele tem um relógio de
bolso, mas não tem a corrente para prendê-lo a calça. Ela tem belos cabelos,
mas não te um pente (ou seria um prendedor, enfim) para segurá-los
adequadamente. Eles então fazem uma surpresa um para o outro. Ele decide vender
o relógio, para comprar um conjunto de pentes para ela. Ela decide cortar e
vender os longos cabelos para comprar a corrente para o relógio dele. Não me
lembro como continua a história, se eles resolveram bem o dilema que criaram ao
não serem sinceros um com o outro – mesmo que diante do desejo de surpreender o
companheiro; mas agora, relembrando este ato tolo e inútil, me sinto até
emocionado. Os dois deram os melhores bens que tinham para alegrar um pouco a
vida pobre que levavam. De certo que, fora do contesto original, eu possa estar
errado quanto ao conteúdo, mesmo assim me parece uma demonstração clara de
amor.
Eu não sei o porquê, mas meus pensamentos insistem em me
dizer que quando eu estiver apaixonado, eu talvez mal consiga olhar diretamente
em seus olhos, me sentiria mais tímido do que nunca, sentiria um prazer
incomensurável percorrer o meu corpo por estar perto dessa pessoa que nem deve
existir... É, você me pegou, caro leitor, eu não tenho esperanças de encontrar
alguém, muito menos de ser capaz de cuidar de outra pessoa quando não sou capaz
de cuidar de mim mesmo. Então, porque eu estou falando sobre esse assunto se
nem ao menos tenho alguém? Como eu disse, é quando não se tem ninguém que se
fica delirando de amor e se sente uma necessidade incontrolável de não estar
mais sozinho...
Eu fico imaginando que poderia ser essa ou aquela pessoa,
que eu estou carente e que desejo ser amado e que... e que somente se fosse
amor de verdade, um milagre poderia acontecer. Infelizmente, não sou uma pessoa
aberta, talvez isso devesse partir da outra pessoa, talvez eu ainda caia na
ilusão de que a pessoa errada possa ser o amor da minha vida... É possível que
seja puro instinto de sobrevivência querendo tomar conta de mim e me obrigar a
deixar descendentes de alguma forma. Mas antes, há um último ponto que quero me
questionar antes de terminar.
Você adotaria uma criança?
Eu estou inclinado a dizer que, desde que fiz 18 anos e a
lei foi modificada para que se possa adotar desde os 18, vez ou outra me pego
pensando nisso, na vontade de amar alguém como pai. Talvez seja apenas a idade
falando que é o momento certo para ter um filho, e que tudo isso não passe de
uma ilusão criado pelo instinto. Contudo, a bem da verdade, é algo bem parecido
com o amor que gostaria de dedicar a outra pessoa. É tudo muito bonitinho nos
meus pensamentos, admito, e que a realidade é bem mais amarga do que aparenta
ser, mas, quem sabe, apesar de não estar pronto financeiramente pra sustentar a
mim mesmo, eu possa estar pronto para começar a amar...
Ser sincero numa relação é a parte mais difícil, nos
lembramos de ficar com raiva, de ficarmos tristes, frustrados... Mas nunca
lembramos que do outro lado há uma pessoa tão machucada quanto você está, que
também tem seus medos, suas loucuras, sua vontade de ser feliz... É tão difícil
lembrar isso!
Existem diversos tipos de pessoas, algumas são mais fáceis
de lidar do que com as outras, mas, e você? Você é uma pessoa fácil de lidar?
Será que você será o primeiro a esquecer da sensação que havia no começo da
relação, que você daria tudo para estar com aquela pessoa e que agora não
consegue pensar em nada para fazê-la se sentir melhor?
Provavelmente...
Existem tantos maus hábitos que são cultivados no dia-a-dia
que é difícil acreditar que você disse alguma verdade naquele momento de ilusão,
talvez você tenha se enganado e tenha dito belas palavras ao monstro que
destruiria a sua vida... Talvez você seja o monstro que destruiu a vida de
alguém... Eu não sei...
A maioria das pessoas só quer cuidar da própria vida, EU só
quero cuidar da minha vida, parar de me sentir triste pelas coisas que eu não
tenho e deveria ter, e simplesmente acreditar que, mesmo que não haja hora
certa, mesmo que eu nunca encontre ninguém para amar, que eu possa dedicar
alguns momentos da minha vida e pensar direito no que significa o amor antes de
estragar a vida de alguém... A última coisa que eu quero é fazer alguém que eu
amo infeliz.
E pra você, o que é o amor?
...
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