sábado, 22 de agosto de 2015

QUADRINHOS: HOMESTUCK


Poucos brasileiros devem conhecer a grande obra de Andrew Hussie: HOMESTUCK - literalmente, Preso em Casa. Eu sou um dos poucos brasileiros que conhece e leu cada página desta histórica em quadrinhos num formato mais light novel. Quero dizer, não dá pra simplesmente entender como é Homestuck apenas falando com referências simples! Se um dia alguém conseguir explicar Homustuck inteiro sem dar spoilers, meus deus! O cara é um gênio! A obra, que permanece num hiato e parece estar em sua reta final atualmente, uma que vez que praticamente toda a história já foi contada, conta com mais de 9 mil páginas, caminhando para 10 mil, que variam entre imagens (estáticas e GIFs), imagens com texto e alguns possuem arquivos em flash (alguns são simples, outros jogáveis, outros verdadeiros curtas!). Eu comecei a ler por sempre esbarrar, aqui e ali, numa referência a Homestuck pela internet, principalmente pelos Trolls, personagens que aparecem na história, que são os preferidos entre muitos dos fãs e... mas isso é um baita spoiler se você quiser ler por conta própria, então, vou ficar quietinho sobre isso...
A história começa nada mais, nada menos com um garoto, que acaba de fazer o seu 13º aniversário em 13 de Abril (4/13 no formato americano) de 2009, e somente nesse dia ele ganhará um nome!


"Um jovem rapaz encontram-se em seu quarto. Acontece que hoje, dia 13 de Abril de 2009, é o aniversário deste jovem. Embora tenha sido há 13 anos que lhe foi dado à vida, só hoje ele receberá um nome.

Qual será o nome deste jovem?"

A partir daí, acontece tanta coisa que você se perde. Não há como explicar HOMESTUCK em simples palavras, eu juro! Além disso, você precisa ter uma boa dose de paciência para ler tudinho... eu lia cada página vorazmente querendo saber mais e mais, e mais! Heheh, eu comecei a ler HOMESTUCK em novembro de 2014 (ano passado) e toda vez que eu lia, eu passava horas lendo tudinho em inglês (e melhorando consideravelmente minha leitura, desde então). Para mim, que sou fã, eu quero gritar pra todo mundo LEIA HOMESTUCK PELO AMOR DE DEUS! Heh, mas sei que nem todo mundo iria entender e ter a paciência que eu tive, esperando para chegar desesperadamente ao momento em que os Trolls apareciam e... não! Eu não vou contar spoilers! Palavra de Mage of Breath! Ops... Eu fiz um teste sobre Homestuck e deu o título Mago do Ar (ou respiro ou fôlego, dependendo da tradução) para o meu god tier, nível divino. Mas você não irá conseguir mais nada de mim! Você precisa ler HOMESTUCK!

Site oficial: MS Paint Adventures

Bem, se você não é tão acostumado ao inglês tanto quanto eu acabei me tornando ao longo dos anos e nunca fez um cursinho de inglês, não tema! Alguns fãs que falam português (Brasileiros? Portugueses? Não faço ideia!), traduziram boa parte de Homestuck de forma razoável e você pode conferir pelo menos o início da obra no seguinte link:

Site de fãs, Homestuck traduzido em português: MS Paint Fan Adventures

Está esperando o quê?! Vá ler um pouco! :o]

domingo, 5 de julho de 2015

MEUS LIVROS: CAPA DE ALÉRGICO

Depois de um bom tempo trabalhando - perdi a conta de quantas horas - terminei a capa 'definitiva' de ALÉRGICO.

A história é ambientada numa escola particular que curiosamente tem como temática o Xadrez: o diretor é o Rei, o secretariado são as Rainhas, os Bispos sãos os professores, os alunos com bolsas esportiva são os Cavaleiros (Cavalos) e os alunos com bolsas científicas ou artística sãos os Torreões (Torres), os demais empregados da escola são chamados peões. Essa separação icônica teria começado por causa dos uniformes, que viriam com os símbolos das peças do Xadrez de acordo com o gosto do misterioso dono da escola, às vezes tratado pelo nome de 'O Jogador". Além disso, se separa o gênero de cada indivíduo por cor do uniforme, sendo assim os homens vestem preto e as mulheres, branco. No caso do diretor, por exemplo, se este fosse mulher, ela seria chamada pelo mesmo título do diretor, mudando apenas a cor que se segue: Diretor=Rei Preto; Diretora=Rei Branco, e assim por diante para os outros títulos.
 
Os alunos tem direito ao dormitório na escola quando necessário ao se fazer a matrícula, divididos em República Branca para as moças e República Preta para os rapazes, sendo que o uso não é totalmente obrigatório. Os personagens principais, por exemplo, não moram muito longe do campus e podem sair nos fins de semana para visitar suas famílias quando deixam previamente avisada suas saídas.
 
Os Cavaleiros, os atletas, ganharam essa designação por parte do "Jogador" por estarem sempre no nível térreo da escola, onde ficam os clubes de judô, natação, futebol, entre outros, enquanto os Torreões, nerds e artistas, ficam a maior parte do tempo nos prédios da instituição - as 'Torres'.
 
Apesar de tudo isso, os alunos recebem as aulas regulares de forma mista, moças com rapazes, torreões com cavaleiros.
 
Na capa há também uma faixa de perigo biológico, ostentando o curioso título do livro: ALÉRGICO. Somente lendo pra saber... Heheh... Xo]
 
Abaixo, a capa do livro, feita por mim, seguida pelo tabuleiro de xadrez - sem as peças - que me deram tanto trabalho pra fazer. :o]
 
Em breve tem mais! :oD
 
 
 

sábado, 4 de julho de 2015

MEU LIVRO: ALÉRGICO

Bem, eu quero escrever... apesar de todos os problemas na minha vida que me levam a crer que eu deveria fazer outra coisa, me matar ou fazer coisa nenhuma...
 
SINOPSE: ALÉRGICO conta a história de dois amigos e como a vida deles mudou drasticamente quando eles entram para o ensino médio e percebem que a nova escola não é um lugar comum. Cheio de mistérios, ALÉRGICO explora assuntos incomuns e situações improváveis através de parasitas alienígenas que começam a invadir a Terra e a tomar conta dos seres humanos.
 
Venho pensando nesse conteúdo há meses e, mesmo sem ter noção de como a história irá se desenrolar por completo, já tenho alguma ideia de como quero começar e de como quero terminar, atravessando todo um ano inteiro com história diferentes, relacionadas entre si e por aí vai.
 
Pequeno problema: Não consigo decidir o nome dos personagens! Isso é um problema comum, creio eu, mas eu já tenho dois nomes em mente: Michael e Warren, o nome dois Sims que tive no jogo The Sims - Free Play (antes de perceber que o jogo não presta por causa dos velhos motivos que te levam a não gostar de um jogo de Rede Social). Por que não usá-los então? Bem, eu posso, mas tem aquela coisa de ser uma história ambientada num cenário da sociedade humana e eu deveria usar nomes brasileiros para que fosse possível uma melhor assimilação. Michael é a forma inglesa de Miguel, mas Warren não possui equivalente... *entra em depressão profunda* Como eu resolvo isso?! Seria perfeito encontrar um nome brasileiro para Warren da mesma forma que existe o equivalente para Michael, ou mesmo ser usada a pronuncia natural do nome - "Mi-xé-u". No meu livrinho de nomes, "Que Nome Darei Ao Meu Bebê", com mais de 7 mil nomes e outras curiosidades, vejo que parte dos nomes estrangeiros que começam com 'W' acabaram com o som "u" trocado pelo "v"... Pena que isso deixaria o nome "Warren" como "Varrem"! *Meu pai do céu!* Outra coisa sobre os nomes estrangeiros como este, que tem pronuncia baseada no inglês e outras línguas anglo-saxãs, é que, apesar de parecer que é o nosso "RR", na verdade a pronuncia é separada: "War-ren". Se fosse o som do nosso "RR", haveria um 'H' ali: "Wahen", sugerindo assim um nome que começasse com "Uar" ou "Var". O mais próximo que encontrei seria "Urbano", "Uriel" ou "Vargas"... Nomes que não possuem nenhuma sonoridade comum e ordinária para caracterizar seres humanos comuns ou que eu já tenha visto alguém gritar por aí.
 
- Ei, Vargas! Venha aqui! (Getúlio, é você?)
 
- Oh, sinto muito Uriel, eu não queria ter feito isso... (Lembra alguma história com anjos.)
 
- Mas, Urbano, o que você tinha na cabeça?! (Urbano?!)
 
Isso sem contar que o nome deve fazer par com Michael... Se eu estivesse fazendo um texto em inglês, Michael e Warren seriam ótimos. Estive pesquisando e um dos homens mais poderosos do mundo se chama Warren ( ou seria o sobrenome dele? Não lembro...).
 
Outra coisa, queria poder voltar a publicar minhas histórias no blog... Acho que sinto falta disso também, é um modelo bem mais fácil de se lidar e que já estou muito bem acostumado... Mas se eu quiser vendê-lo, eu não poderia...

Até mandei uma mensagem via Facebook para a página do 'Carreira Literária' tentando explicar sobre isso - mesmo que o que eu mais faça ao escrever seja enrolar e enrolar.

Por enquanto é isso, ainda devo fomentar mais a ideia de ALÉRGICO e ver no que dá.
Fiquem com a capa provisória abaixo... Ainda devo corrigir alguns erros e possivelmente colocar uma base xadrez por baixo, quem sabe...
 
 
Eu não pertenço a lugar nenhum...

sábado, 27 de junho de 2015

CONFISSÕES: O QUE FAZER QUANDO NÃO SE SABE O QUE FAZER COM A PRÓPRIA VIDA?

E então estarei usando meu blog mais uma vez para debulhar minhas aflições interiores, procurando uma solução enquanto escrevo...
 
Voltando a pergunta do título: O que fazer quando não se sabe o que fazer com a própria vida?
 
O caso: Tenho 24 anos, não fiz faculdade e não tenho direcionamento profissional - sei o que não quero fazer, sei onde não quero estar, mas não é o suficiente para escolher um caminho. Família é algo que abre e fecha caminhos. Muitas pessoas seguem em um determinado tipo de serviço por influência de um parente ou porque a situação financeira da família permitiu. Outras pessoas não possuem problemas em enfrentar o que estiver pela frente, aceitam diversos tipos de empregos diferentes e não se sentem acuadas diante deles, podem trabalhar como empregados aqui e ali e sonham em ser patrões, ter seu próprio negócio. E há pessoas como eu, que se sentem intimidadas com o mundo, tentam buscar uma forma aprazível de trabalhar sem ter que se autossacrificar. Por exemplo, adoraria um trabalho em que minha criatividade pudesse ser bem aproveitada, mas costumo me fechar em ambientes hostis, como lojas ou comércios onde você precisa se impor para conseguir tirar o sustento de cada dia. Já sou estressado por natureza e seria o mesmo que tomar veneno trabalhando num lugar assim, ficando com meu estado emocional ainda mais deteriorado. Confesso, não tenho apoio familiar em nada do que um dia eu já tive vontade de fazer, me falta um tutor ou simplesmente alguém que me conheça e me apoie. Você não tem ideia, caro leitor, do que estou falando, provavelmente ou você tem uma família ou amigos que te conhecem ou você não se importa com a forma como eu vejo o mundo. Talvez a ideia mais precisa do que você pensa sobre mim é que ou eu sou muito trouxa ou muito medroso. Admito que você não estaria errado, isso também faz parte do que eu sou agora, mutilado pro dentro e sem nenhuma autoestima. Acho que o que mais me pesa agora é que um dia, lá atrás, eu tinha uma capacidade maior, uma possibilidade maior de me descobrir capaz, porém, a possibilidade diminuiu tanto que estou ficando sufocado. Olho para mim mesmo e vejo um inútil.
 
Às vezes sinto que meu coração dói tanto que quer parar de bater...
 
O mundo não ajuda. Sinto como se todas as boas possibilidades estivessem abertas para quem não precisa delas, enquanto que para mim, as poucas que devo ter, estão sumindo a cada dia, a cada erro, a cada desastre emocional que abala a minha cabeça.
 
Eu ainda quero escrever, eu acho...
 
Meu notebook voltou do concerto ainda ruim e isso me deixou mal. Eu queria fazer algo para alguém, escrever algo interessante eu acho, me perdi no meio do caminho e fiz a coisa errada - isso me deixou pior. Eu não consigo escrever direito. Posso ser bom em escrever, mas não é o bastante para fazer direito. Acho que isso destruiu o pouco de confiança que eu tinha, eu estava tão afoito pra escrever que fui descuidado, me deixei levar e, aquilo que eu tinha, aquilo que restava, se espatifou no chão, quebrando em milhares de pedaços. Não sobrou muito do que usar agora, está doendo, estou chorando... de novo...
 
Eu queria saber quando esse ciclo maldito irá acabar. Eu sei que a vida pode ser boa, que há pessoas com quem falar, coisas para fazer, alegrias para sentir, mas não tenho direito a nenhuma dessas coisas... Não sei por que isso acontece! Toda vez que eu penso em demasia é em algo impossível, inviável, ou que simplesmente não tem pretensão nenhuma de acontecer. Você não faz ideia de quanto eu devaneio! Fico imaginando possibilidades de como viver o passado do jeito certo, do que eu gostaria de fazer para superar minhas mágoas, de como eu queria, do fundo do meu coração, que alguém viesse me salvar da minha loucura e da minha tristeza. Mas isso não passa de engano... Não há ninguém que viria me ajudar - e não, não estou falando de que Deus não estaria aí, me assistindo, pois provavelmente, se ele realmente estiver, tudo faz parte dessa misteriosa missão chamada vida e que eu estaria feliz no final de todo esse percurso tortuoso. O que eu realmente temo é que, querendo ou não, infelizmente a vida não termina com a morte e que uma vida inteira frustrado pode não ser o bastante para superar esse problema... Em verdade, a 'vida humana' pode acabar daqui a pouco e ter que me ver decepcionado com mais isso não ajudaria minha existência em nada. Não vivo uma 'vida humana', não sou normal e provavelmente nunca serei. Talvez haja a possibilidade de que minha alma tenha vindo de outro plano para cumprir uma missão específica na Terra e eu tenha travado em cumpri-la, no entanto, eu ainda preciso sair dessa situação por bem ou por mal.
 
Na maioria dos exemplos de superação sempre existe um antes, um ponto de onde a pessoa se guiou e conseguiu fazer acontecer. Como alguém que tinha um trabalho estressante e adorava fazer yoga para relaxar. Certo dia essa pessoa se cansa do trabalho, tem dinheiro para estudar e consegue abrir um local para dar aulas de yoga. Minha maior dificuldade aqui, e o que mais me cega com relação ao futuro, definitivamente é o dinheiro. A economia no país não está nos seus melhores dias e não sou uma pessoas que atrai dinheiro para si. Na verdade, o pouco dinheiro que me dão eu sou obrigado a gastar com passagens de ônibus ou créditos para celular (sem ter ninguém para ligar, apenas para poder fazer uma ligação rápida para os pais ou para manter o número ativo, pois o pouco dinheiro que está no celular perde a validade com facilidade - tem uns R$30 na conta do celular e eu não posso usa-los para fazer um simples ligação por causa disso!). Fora isso, tento guardar o dinheiro, por vezes compro alguma coisa pra casa, um remédio que seja, ou invisto em livros ou quadrinhos. Há meses não compro uma HQ! Me dei ao luxo de ir a uma feira de livros com 50% de desconto de seu preço nas livraria e comprei dois livros. Depois do entrave com meu notebook, quando ele já havia retornado do concerto e ainda não estava legal, quase perdi a cabeça, não poderia ficar em casa e saí. Retornei com um livro novo. Eu estava lendo um dos livros dos meus irmãos, mas acabei deixando de lado para ler o meu último livro. Afinal, o que há de errado comigo?! Será que, ao invés de livros, eu tivesse comprado um pacote de cerveja eu seria uma pessoas melhor agora? Ou então tivesse comprado um maço de cigarros e começasse a fumar sem parar? Ou simplesmente gastado tudo o que eu consegui nos últimos meses com roupas e outras coisas que todo mundo sempre compra tudo seria melhor agora?! MERDA. Eu NÃO sou normal... Não dá pra simplesmente tentar coisas normais comigo, eu não vejo o mundo da mesma forma que a maioria... Não acho que ninguém entenda o que é sofrer pensando em coisas boas para fazer e não se capaz de fazer nenhuma... Enfim, deve ser isso o que eu sou, um iludido, um sonhador desvairado que pousou no momento errado no planeta Terra e que percebeu que, por mais que possa estar preparado para não fazer coisas erradas, não está pronto para fazer a coisa certa.
 
E a humanidade não perceberá que a era de paz na Terra será conseguida não pelos esforços dos homens, mas pelo sacrifício de milhares de anjos. O caminho da paz será trilhado sobre suas carcaças, suas asas serão arrancadas e sua sabedoria jogada no lixo. O homem, todo orgulhoso, nem irá suspeitar de que aqueles que enlouqueceram pelo caminho estavam lhe prestando grande ajuda, irá apenas olhar para frente, sem perceber que os anjos estavam morrendo por todos os lados. Os anjos existem para servir, este é o seu propósito. Ninguém se lembra de que eles também sofrem...
 
Quanto tempo mais será que a humanidade continuará cega? Quando a verdade será revelada? Será logo? No próximo ano? Será que eu consigo aguentar até lá? Se estou aqui e agora é por que eu escolhi de livre e espontânea vontade estar aqui, apenas não imaginava que estaria tão sozinho, tão limitado e tão triste. Queria que a vida tivesse sido um pouco melhor, aliás, eu até consigo viver um dia de cada vez como se nada do que eu acabei de dizer fosse importante. Mas sempre irá doer, sempre. Mesmo não sendo um ser humano normal, eu vivo numa sociedade cujos valores se baseiam em família, amizade e dinheiro - e justamente essas três coisas me são negadas. Já ouvi uma pessoa dizendo que EU era o 'psicólogo' dela - vi num lembrete de alguns anos atrás no Facebook dizendo isso. Mas e eu? Será que eu vou sempre sofrer sozinho e nunca encontrar um semelhante para estar ao meu lado? Será que se eu me ajoelhasse e orasse com vontade, feito uma criança mimada implorando ao pai por um brinquedo novo, algo iria acontecer? É, aí está o meu mal, perdi a fé. Realmente, eu não tenho esperança alguma de conseguir uma saída. Sempre acontecem coisas inesperadas, elas nunca são planejadas. Por mais que eu tente planejar alguma coisa, o que irá acontecer é sempre diferente... Talvez eu só consiga acreditar em mentiras mesmo, acreditar que um dia minha vida seria diferente, que eu finalmente me sentiria livre do fardo que foi posto nas minhas costas e que eu descobri que não sou capaz de carregar - não aqui, não agora.
 
Da próxima vez que eu estiver acreditando, eu tenho que me lembrar, não posso me esquecer! Eu tenho que dizer: NÃO. EU TENHO QUE DIZER NÃO! Juro que se algo ruim acontecer de novo eu... não sei do que seria capaz...
 
Eu tenho medo das pessoas, não quero ter amigos, ninguém nunca quis realmente ser meu amigo, todos que já tentaram são facilmente propensos a se distanciarem - me forçando a dizer que não são mais meus amigos.
 
Esta é a melhor saída? Se eu quero sobreviver no mundo humano, não, isso nunca daria certo.
 
Mas é melhor que eu nunca mais fale com ninguém nem tenha intenção alguma de falar, deixar qualquer um pensando que nada aconteceu, que nunca houve uma tempestade arrasando minhas emoções e que eu sou apenas um inútil que não quer fazer nada - não seria muito diferente da ideia que fazem de mim afinal...
 
Nesta semana começa o Camp NaNoWriMo de Julho, são 31 dias para cumprir uma determinada cota de palavras que eu estipular. Estava pensando em botar uma marca de 80 mil palavras e prosseguir a partir das 32 mil já escritas do último Camp NaNo que foi bruscamente interrompido. Mas não sei se sobrou felicidade em mim para fazer algo assim, me sinto tão infeliz que quero desistir da última coisa da qual eu gostaria de desistir: escrever.
 
Será que é justo alguém gostar de cantar e não ter uma boa voz para cantar? Seria bom poder me ver livre de todos os desgraçados que não querem ouvir a minha voz por ela ser desafinada. Eu não quero cantar para esses idiotas, eu apenas quero cantar para mim mesmo, poder cantar quando uma música que eu goste tocar no rádio. Mas não, se eu não sou um passarinho de bela voz eu não posso cantar, tenho de ser humilhado toda vez por querer fazer algo que me é natural, apesar de saber que nunca serei afinado. Por quê?! Por que vocês tem ficar perto de mim quando eu quero cantar?!
 
Juro que a última resposta que eu queria dar para mim mesmo da questão do título era: suicídio...
 
 

sábado, 13 de junho de 2015

NADA MUDA

Mais uma vez o que minhas capacidades mostram é que não sou capaz de fazer a coisa certa. Descontrolado, agindo por impulso, faminto pela vontade de fazer algo que eu sinto ser capaz de fazer, eu cometi um novo erro. Será que mesmo tendo acontecido antes, não sou capaz de evitar nova catástrofe? Enlouquecer é a única saída? Por que será que parece que eu sou o único passando por situações assim? Não sou capaz de viver uma vida normal, com problemas normais?
 
Meu notebook quebra no meio do Camp NaNo de Abril, quando eu estava com mais de 30 mil palavras escritas e com capacidade total de chegar a meta de 50 mil palavras antes do fim do mês. Eu consegui aguentar, tentei de tudo pra esquecer e deixar o tempo passar. Comprei 2 livros na feira do livro do Centro Cultura da Juventude (Cachoeirinha): 1Q84 (Volume 1) e A Batalha do Apocalipse, com 50% de desconto. Foram ótimo livros, conseguiram me entreter durante todo o tempo em que fiquei sem o meu notebook. Eu fiquei usando o pc dos meus irmãos durante algumas horas do dia enquanto eles estavam fora (mais o meu irmão do que a minha irmã), mesmo que eu me restringisse a não ir muito além de ver e deixar do jeito que estava; isso ajudou mudou para que eu não pirasse, sendo atormentado por pensamentos criativos.
 
No sábado, 06/06, meu notebook, que estava há cerca de três semanas no concerto finalmente voltara. Eu estava eufórico, já estava começando a ler um dos livros dos meus irmãos - A Menina Que Roubava Livros -, e queria muito poder voltar a usar meu notebook, escrever minhas histórias, usar a internet normalmente... Meus desejos foram frustrados pela incompetência do cara da loja... Meu notebook está agora em minhas mãos, consigo usar a internet; contudo, o problema praticamente persiste, o Windows contém erros e não consigo usar o Google Chrome. Fiquei arrasado, tanta vontade de continuar escrevendo, de usar meu notebook como antes e foi tudo por água abaixo. Mas este ainda não foi o ponto mais trágico da semana...
 
Olhando agora, era como se o diabo estivesse me pregando uma peça. Talvez você saiba do que eu esteja falando se olhar a publicação insight para que possa fazer mais sentido. Sou fã da obra ainda não iniciada de Gabriel Kolbe, Gatho, e ele me pediu algo que me deixou muito animado na sexta-feira anterior ao sábado do retorno do notebook: dar uma olhada no futuro roteiro da primeira história de Gatho. Eu já havia feito algo semelhante antes e mesmo assim me deixei levar... e fui levado ao erro, exagerei. Eu odeio errar, isso me machuca profundamente. Escrever perdeu o sentido...
 
Todas as vezes que eu tento escrever algo com vontade, algo acontece, meus sentimentos definham e eu me sinto menos humano, menos capaz, mais inútil... E o que é pior, não há ninguém que possa entender a dor dessa faca em meu peito. Não devo dizer que eu seja o único, mas em canto algum que eu olho encontro um exemplo, uma história semelhante e, o que mais me faz falta, uma forma de superação dessa dor que não passe pelo erro e pela dor.
 
Ainda no sábado 06/06, revoltado com a minha situação que nunca melhora e permanece numa constante onde tudo o que tenho se quebra, onde o dinheiro que gasto nunca rende nada; sai de casa, sem ter certeza de onde ia. Como em outras vezes, acabei indo para o Shopping West Plaza. A chegar lá fui direto para o banheiro, sentar na cabine, sossegado, com o Guia de Ruas de São Paulo de 2008 nas mãos, procurando algum outro lugar, algum ponto de referência para continuar me movimentando e não ficar no mesmo lugar. Nada encontrei. Com o notebook em casa, achei melhor passar nas Lojas Americanas e comprar mais alguns DVDs para que eu pudesse terminar o backup do meu notebook. Curiosamente a loja tem melhorado o serviço de livros, ampliando os títulos que antes se resumiam a uns poucos. Olhei novamente para a capa azulada de Extraordinário e decidi-me a leva-lo mesmo que o preço, que não estava visível na prateleira, fosse R$35. O primeiro na prateleira estava sem o plástico e achei melhor levar o segundo, algo que estivesse dentro do livro poderia já ter se perdido. Peguei-o e o segurei com vontade por alguns metros, indo em direção ao leitor de barras e checar o preço, antes de olhar em sua capa e perceber que o preço era de apenas R$20. Fiquei muito feliz, já tinha ouvido falar do livro, lido as abas dele que resumem um pouco do conteúdo e estou feliz por ter começa a ler a história de August, o menino que nasceu sem rosto e que tudo o que queria era ser um garoto normal. Ainda não cheguei a parte em que ele começa o movimento em favor da gentileza, mas espero ansiosamente conseguir chegar lá - para alguém sensível como eu não é fácil ler o livro, entendo perfeitamente as dores do personagem e elas ressurgem em mim com intensidade, algo incompreensível para as outras pessoas, pois não poderia simplesmente explicar-lhes o quão afiadas são as dores que os sentimentos provocam a partir de um livro que provavelmente poucas pessoas leram... (O Brasil não é um país de leitores) Também não tenho esperança de conhecer alguém que entenda Homestuck - é impossível explicar a obra como um todo, é preciso lê-la e gostar da leitura para entender o que significa não ter cavalos durante esta última semana...
 
Estas últimas semanas foram momentos intensos na minha vida, muita dor, impaciência, desespero. Conheci personagens novos com os quais me identifiquei: Tengo,  um aspirante a escritor que reescreve secretamente uma obra de uma adolescente que ganha destaque na mídia, do livro 1Q84; e os anjos de A Batalha do Apocalipse, a qual me identifico com os ofanins, os anjos da virtude, seres que emanam luz, aversos a violência e que prezam pela bondade. Não sei como os anjos influencia a realidade, mas chego a pensar que me sinto como um ofanim, algo que acaba pensando diferente dos demais, pensando em agir com compaixão. Eu não sei de onde meus pensamentos sobre isso vem, é uma constante que chega a me irritar, ficar imaginando maneiras de ajudar as outras pessoas e nunca poder fazer nada é perda de tempo. Eu deveria tratar do aqui e do agora, mas não, sempre aparece um pensamento de ofanim criar asas na minha imaginação. Mais recentemente, reparei que tenho outra afinidade angelical: os Malakins. Provavelmente qualquer um que seja escritor deva ter alguma afinidade com os vigilantes, pois o que eles mais fazem é escrever. Além disso, eles são reservados, enclausurados no 6º céu, como eu, preso a minha existência de forma limitada. Posso até contar sobre a total falta de habilidade em usar os poderes de tempo e espaço, bases dos poderes das divindades da casta: tudo o que eu imagino tem o péssimo hábito de ser irreal, de não existir. Será que se eu pudesse desenvolver esses poderes eu poderia provocar o efeito borboleta? Refazer o passado ou observar mundos paralelos, descobrindo o que ocorreria se eu tivesse tomado outra atitude? Ou será que eu tenho um ofanim do meu lado, me dizendo coisas, enquanto eu seja secretamente um malakim encarnado? (Risos) - sim, estava eu, enquanto escrevo isso, lendo sobre anjos - De repente, certas coisas fizeram sentido... inexplicavelmente!
 
Um anjo encarnado? Meu deus... Minha espiritualidade deu sinais de vida sem mandar aviso! Heheh...
 
Acho que faria muita diferença se eu soubesse que missão eu tenho na Terra, se estou perto ou longe. ou o que está me impedindo de cumpri-la... Faria MUITO sentido. Se desse pra explicar o que essa iluminação está me fazendo pensar, eu não conseguiria explicar... Acho melhor parar por aqui, até quero continuar, mas o sentido original se perdeu e o assunto mundo. Até a próxima! o/
 
 
 

sábado, 7 de março de 2015

CRÔNICAS: O QUE VOCÊ FAZ QUANDO ESTÁ TRISTE?

“Parem o mundo que eu preciso descer!”

E com esta piadinha, inicio a discussão desta crônica, deste texto crônico, onde deposito as situações crônicas da minha vida.

*suspiro*

Não há muito como evitar, estou triste, sinto-me como se eu estivesse num ônibus chamado vida e eu perdi o meu ponto anos atrás...

E então, você já respondeu a pergunta: O que você faz quando você está triste?

O caso nem sempre é simples, sabe? Depois que descobriram a tal da depressão e que ela pode vir a ser tão crônica que passou a ser considerada uma ‘doença’, o mundo vive na depressão. Tudo dói, tudo magoa... E o que as pessoas mais fazem é ferir...

A depressão acabe sendo isso, uma ferida, uma dor profunda no ser que não pode ser simplesmente curada, é causada por uma série de fatores incluindo medo, decepção e fracasso. Você passa tanto tempo fechado em si mesmo que quando precisa se abrir, ninguém estará lá para escutar você chorando, ouvir o que você tem a dizer, são coisas idiotas, coisa inúteis e desnecessárias, mesmo assim você precisa que alguém te escute, por algum motivo...

— Me escuta! Eu preciso de você, preciso de você vivo, preciso de você ao meu lado... Você é especial pra mim, não faça isso comigo, estou te implorando... Fica comigo!

Não há nada melhor que uma conversa, que algo motivador, algo que te traga a realidade. Você sabe o seu lugar, o que quer fazer, só não tem a confiança para seguir em frente e enfrentar os seus demônios. Você se considera um lixo, um inútil, um incapaz. Não entende porque o mundo ao seu redor é tão diferente de você, porque você parece sempre ser o anormal, você nem ao menos sabe o porquê das pessoas te ignorarem...

No meu exemplo, eu queria ser escritor...

*suspiro*

Como ser escritor no Brasil?!

No Brasil é improvável que alguém consiga ser escritor sem ter que fazer algum “trabalho comum”, ser escritor é ter um hobby enquanto você trabalha com alguma outra coisa, você não vê oportunidades por aí de algum tipo de profissão onde o fundamental é escrever. Eu, pelo menos, nunca vi e nem sei se é possível encontrar. É algo tão distante da minha realidade que começo a acreditar que seja apenas um sonho, uma fantasia maluca, um devaneio de um pobre que já deveria estar trabalhando... Por causa da descrença naquilo em que eu realmente queria fazer, fico triste... E não há ninguém que queira conversar sobre isso...

Eu não sei o que falar, como me explicar... De onde eu iria tirar coragem pra dizer para o mundo o que eu quero fazer, sendo que o mundo não dá a mínima pra isso? Eu vivo como um fantasma, como mais um cara que tem um blog, um cara que vive no meio de pessoas que não dão a mínima para o que eu escrevo, penso ou sinto... Não tenho ninguém com quem abrir meu coração e dizer:

— Eu quero morrer...

A maioria das pessoas que me vê no dia-a-dia deve achar que eu sou só um idiota, preguiçoso, lerdo e desnecessário. Acho que as pessoas nem sentiriam a minha falta se eu de fato não estivesse mais aqui...

E assim eu continuo pensando, pensando que a minha seria muito diferente se eu ganhasse na loteria e pudesse realizar alguns dos meus caprichos, caprichos esses que a cada vez que eu imagino, quanto mais fácil é para imaginar, mais distante eu sei que estou longe de realizá-lo.

Um dia, acho que no ano de 2014, ou teria sido no final de 2013, eu sonhei que havia ganhado um cheque, não lembro ao certo a quantia, mas uma quantidade volumosa, algo entre R$10’000,00 e R$25’000,00. E sabe o que eu disse? Aquilo foi uma surpresa pra mim! Eu disse algo como:

— Agora posso fazer faculdade...

Até hoje eu não tenho pretensões para fazer faculdade, não faço ideia de que carreira eu poderia seguir ou me interessar. Mas, naquele momento, eu disse que eu iria fazer faculdade. Eu não sei como! Talvez algo dentro de mim soubesse o quanto isso seria importante agora e estava tentando me avisar que isso seria um problema. Não sei... Sei apenas que não tenho dinheiro para fazer faculdade, não tenho como seguir meus sonhos e só me resta... Não sei o que me resta...

Sabe, eu tenho uma câmera digital, ela está quebrada, não consegue focar, o resto funciona, mas o mais importante está quebrado. Eu adorava tirar fotos, fazer alguns vídeos, aos poucos eu conseguia transformar o mundo ao meu redor através do meu olhar. De certo que não era lá grande coisa, contudo, era algo novo pra mim, algo interessante. E, com a sorte que eu tenho, a câmera simplesmente quebrou, eu juro que não a deixei cair, eu apenas queria tirar uma foto de um cachorro e a descobri quebrada. Sem mais nem menos! Quem tem dinheiro prontamente irá dizer:

— Mande pro conserto!

Eu faria, se pudesse! Eu esperava que meu pai mandasse a câmera para o concerto e que eu pudesse continuar a tirar minhas fotos. Acabou que ele achou muito caro mandar concertar a câmera e me devolveu a câmera do jeito que ela estava, na maior cara de pau... Senti-me desolado, não queria nem olhar para o objeto. Agora ele está no meio da minha bagunça, ficará lá por tempo indeterminado ou até que eu fique com tanta raiva de mim mesmo e termine de quebrá-lo.

Mas, o que me desanima agora não isso...

Meu irmão mais novo, o trabalhador da casa, comprou uma câmera digital nova pra ele. Isso acabou me lembrando da minha câmera e de como eu a queria de volta, de como eu sou um inútil que não consegue concerta uma maldita câmera e de como eu sou infeliz.

Quem sabe devo estar entrando em depressão ou simplesmente não estou aguentando mais a pressão por ser infeliz. Sinto-me como se fosse a minha própria câmera, o que é mais importante não funciona e não pode ser concertado... Talvez ela ter quebrado tenha sido apenas um piada sem graça do destino querendo imitar a minha vida...

O que você faz quando está triste?

Eu deveria sair de casa, dar uma volta, tomar um ar... Estou há dias pensando nisso. Desde que voltei do Ceará só consegui sair uma única vez, e foi o suficiente para criar o nome do blog: Eu Não Pertenço A Lugar Nenhum (I Don’t Belong To Nowhere). A ideia era justamente essa, eu não encontro um lugar para pertencer, afinal, mundo perfeitos não existem. Tudo o que há por aí é efêmero, não durará muito e você se verá como um Eike Batista da vida, num dia um bilionário, noutro você estará devendo até as calças. Infelizmente, sair me custaria R$7 de passagem ônibus (R$3,50 para ir e outros R$3,50 para voltar). Tudo o que eu tenho agora na carteira são R$10, isso não dá pra comprar quase nada e eu tenho que pensar bem antes de ir a qualquer lugar. Isto é, se houvesse um lugar...

*suspiro*

Não há nenhum lugar que realmente seja interessante para ir, na maioria você gasta algum dinheiro... Eu não quero ter que gastar tudo e ficar sem nada...

O que você faz quando está triste?

— Procure uma saída...

Eu estou tentando ver alguma luz no fim do túnel e, quanto mais eu me movo, mais fundo eu entro na areia movediça... Não consigo me segurar em lugar nenhum e estou vendo a hora que eu não vou mais conseguir respirar se aproximando...

— Este é o fim. Segure a sua respiração e conte até dez. Sinta a Terra tremer e então... Ouça meu coração explodir, de novo.

Se eu pudesse fazer algo bonito com naturalidade, talvez eu não fosse tão infeliz, tenho vontade de cantar, mas minha voz, minha voz é horrível...

Por hoje é só pessoal!
Eu não pertenço a lugar nenhum...

Até a próxima...
...

segunda-feira, 2 de março de 2015

INSIGHT: FANFIC - CENA DE GATHO DE GABRIEL KOLBE


Gaius caminha pela floresta de Évora, no extremo norte, próximo a região de Gatho. Ele está atento, os perigos daquelas terras são traiçoeiros, principalmente quando se chega perto do grande abismo abissal. O local estava inquietantemente silencioso naquele momento, Umbral dera uma de suas escapadas clássicas, sem dizer para onde fora, e o mercenário estava sozinho. Uma criatura o espreita:

- Umbral! - diz ele em alto e bom som. - É você seu desgraçado?! Já cansei dessas suas brincadeiras idiotas!

Ninguém responde.

Gaius continua caminhando, crendo ter sido apenas o vento. Observa o sol e segue pelo caminho que já deveria conhecer: "Tem algo errado", pensa ele, "será que eu me perdi de novo?".

- UMBRAL! - grita novamente, desta vez com mais vontade. - Venha aqui agora seu covarde!

Um zunido começa a soar, era o som de algo se aproximando. Gaius instintivamente segura a empunhadura de sua espada pecadora e se prepara para o que estiver por perto.

"Será um Castannï?", pensa ele.

O zunido começa a se distanciar. Pelo canto do olho, Gaius vê um vulto passar em alta velocidade.

- Merda - diz ele, tirando pecadora da bainha. - Quem está aí?!

O som volta a ficar alto. Gaius olha confuso para todos os lados sem saber de onde o zunido vinha. Parecia que estava vindo direto em sua direção, contudo, não via nada em sua frente. O mercenário semi-cerrou os olhos, apertou os dentes e torceu as duas mãos na empunhadura da longa espada. Ele sentiu um baque, como um golpe de vento, levantando algumas folhas ao passar por ele. O zunido ficara, então, ensurdecedor.

- Maldição! - esbraveja ele, lembrando-se que um dos problemas em usar uma espada para duas mãos é não poder proteger o resto do corpo: ou ele largava a espada para tampar os ouvidos ou ficaria desprotegido.

Ele hesitava, sentia algo por perto, lhe parecia uma fera com fome, e não ousava largar a espada. O barulho foi ficando distante e a dor foi sendo aliviada naturalmente.

- O que foi isso? - se pergunta ele, baixando a guarda e balançando a cabeça por causa do chiado.

"Grr..." fez a criatura atrás dele.

Gaius engole a seco e, sentindo um arrepio lhe percorrer a espinha, vira o rosto lentamente: "Merda, uma aberração das trevas..."

O corpo da quimera era comprido e esguio como o de um lagarto com seis patas, terminado numa fina e longa cauda de três pontas afiadas. Seu tamanho era descomunal, só a sua boca tinha a altura do mercenário e, no entanto, conseguia se camuflar na vegetação com facilidade, sendo preciso forçar a vista para se ter certeza de que ela estava realmente ali. Sua respiração era pesada, fazendo o cabelo de Gaius balançar. Seus oito olhos cinzentos o fitavam sem piscar, especialmente os dois principais, maiores que os outros, e o par de antenas que sobressaiam-se do topo da cabeça balançavam lentamente para cima e para baixo. Subitamente, suas antenas ficaram rijas e estáticas:

"Esse monstro está... sorrindo?!", pensa Gaius, ao ver a bocarra se abrir e mostrar as várias fileiras de dentes.

Naquele instante, Gaius não pensou duas vezes, deu um pulo, tomando espaço, e correu para cima de um tronco curvado, saltando para cima da aberração com a pecadora em riste.

- AHHH! - brada ele.

A criatura some em pleno ar. "Merda!", a espada acaba fincada na pedra. Gaius faz força para retirá-la e estica bem os braços. Um filete de luz passa logo abaixo dele e o mercenário arregala os olhos:

"Uma armadilha?!"

Um fio extremamente fino e resistente dá uma volta em seus braços. Era tarde demais, o corte fora rápido e preciso.

- Não, não, não... - Gaius vai ao chão, vendo seus braços ficarem junto a espada. - MERDA!

Perdendo muito sangue, o mercenário tenta se por de pé, é uma tarefa árdua, ele se sente como uma inseto que não consegue se desvirar. "A panaceia! Droga! Eu tenho que usar a panaceia antes que seja tarde!", pensa ele, tentando alcançar o potinho com o líquido vermelho que está bem na sua frente, da maneira que pode. Logo ele começa a chamar pelo amigo:

- Umbral! Socorro, seu filho da mãe, socorro!!!

Alguém se aproxima. Gaius sente a respiração ficar difícil, a vista embaçar e não consegue ver quem é, nem reconhece sua voz:

- Tsc... Quando é que você vai aprender? Ninguém deveria se aventurar por estas terras... Coragem é para os tolos!

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sábado, 28 de fevereiro de 2015

DIVIDIDO: O QUE EU QUERO FAZER E O QUE EU DEVO FAZER.

Acordei pela manhã ao lado da fogueira apagada. Num pulo, estava de pé, atento ao meu redor, procurando ter certeza de que ainda estava sozinho. Nas primeiras noites em que me arrisquei a dormir em um lugar desconhecido, sempre acordava com algo faltando, às vezes era uma bota, noutra todo o meu dinheiro. Cheguei a perder minha espada e meu escudo! Felizmente os recuperei antes que o ladrão os vendesse a alguém de quem eu não pudesse comprar de volta. Ufa! Foi um sufoco aquele dia! Desde então, quando vou dormir, procuro algum lugar calmo, afastado de vilas e cidades, que não tenha sinais de animais grandes ou pessoas e, depois de conseguir um pouco de lenha, faço uma pequena fogueira para tentar me manter aquecido durante a noite. Eu já tentei carregar comigo uma armação para fazer um barraquinha... foi a primeira coisa que me roubaram... com ela armada! Heh, viver nas terras selvagens e ir de um reino a outro sem conhecer ninguém é realmente complicado.

Me alivio no matinho, checo novamente se tudo está no lugar e verifico o mapa da região. Se tudo estivesse correto, eu chegaria a montanha dos lagartos de espinhos até o meio-dia. Os lagartos que vivem nesse lugar perfuram o solo em busca de metais que são usados em suas grossas carapaças e eventualmente deixam pedaços dela por todo lado, seja por brigas ou porque precisavam renovar as escamas. Nenhum outro animal consegue fazer o que eles fazem! O metal fica praticamente sem impureza nenhuma e para obter uma boa arma é preciso ter os melhores materiais. Se eu conseguir uns quatro ou cinco quilos, posso levá-los para o ferreiro mais próximo, trocar um pouco pela mão de obra e usar o resto para uma espada... quem sabe uma adaga, afinal, força não é um dos meus atributos mesmo. Parece que fora ontem que eu deixara a minha vila, que fizera dezoito anos e minha mãe me dera o velho armamento do vovô, uma espada velha, feita do mesmo metal que procuro, praticamente nova! E um escudo, um pouco pesado pra mim, feito de madeira com moldura de metal. Este último está meio acabado, cheio de marcas de golpes de espadas e buracos de flechas, mas permanece íntegro e ainda poderia aguentar uma bola de fogo ou duas. Espero não ter que enfrentar um mago pra ter certeza...

O caminho pela frente é longo, tortuoso e não me demorei mais. Talvez eu tivesse perdido uma ou duas horas da manhã - meu sono é tão pesado, que mesmo se uma manada de paquidermes de seis toneladas cada estourasse perto de mim, eu não acordaria - e chegar ao local marcado pudesse passar da hora do almoço. Estava preocupado, caso eu tivesse que entrar numa luta passando fome eu não teria chance alguma. A região não era de árvores frutíferas e não a conhecia para saber se realmente poderia haver alguma ou não. Era a minha primeira vez fora de casa, minha primeira aventura seguindo os passos do meu avô, um aventureiro como eu que por vezes conseguia um trabalhinho aqui, um servicinho ali, salvando princesas indefesas e matando dragões ferozes. Acho que boa parte do que meu avô me contava era mentira, talvez ele apenas tivesse feito parte de algum exército comum, conseguindo assim as marcas no escudo e quem sabe a espada esteja nova por ele nunca chegou a usá-la. Admito, também penso que o que eu fiz mesmo foi me meter numa grande enrascada sem precedentes e que eu possa acabar morto por não ter pisado no lugar certo, sem que ninguém, ao não ser as aves carniceiras, pudesse encontrar meu cadáver. Urgh... Sinto calafrios só de pensar!

Vejo no alto algumas aves de fogo aproveitando o calor dos dois sóis para se aquecer e acender seu típico rastro luminoso seguido por um filete de fumaça pelo azul do céu. Pelo que meu avô dizia, ele também havia visto estas aves ao se aproximar do ninho dos lagartos. Como um não tem problemas com o outro, eles convivem perfeitamente bem: os lagartos de espinhos avisam se um animal desconhecido se aproximar das florestas por terra e as aves sibilam, acuando qualquer intruso que possa ser visto do céu. O ferreiro iria adorar ver uma pena ou duas destas aves para colocar numa arma, pena que eu não tenho luvas de couro de salamandra ou bálsamos contra queimaduras... Por enquanto, o metal dos lagartos de espinhos é o único material raro que eu posso encontrar... Isto é, se eu encontrar! O vovô me disse que este lugar era meio isolado, mas pelo que pude ver, a vila mais próxima cresceu, virando uma grande cidade, tomando alguns quilômetros mata a dentro, quase que não consigo atravessá-la antes do anoitecer!

Certo, cabeça fria! Pela vontades dos deuses eu irei sair daqui com o meu pequeno tesouro e conseguir a minha primeira arma... que não tenha sido de mais ninguém... Pensando bem, será que mais ninguém está atrás do metal dos lagartos de espinhos? E se tiver alguém lá quando eu chegar? E se os lagartos não gostarem de mim? Pelo deuses! O que eu faço?! Eu tenho pouca prática em usar a aura para me defender! Certo, respira, respira, respira... Você consegue, cara, você consegue!

Diante de mim vejo um penhasco com cerca de vinte metros de profundidade com um rio largo lá embaixo. Olho para os lados e não vejo ponte ou árvore que pudesse me levar até o outro lado, são pelo menos trinta metros de distância. Eu poderia descer, nadar até o outro lado e subir de volta, no entanto, a correnteza se mostra muito forte, mesmo que eu consiga atravessar com esse escudo pesado - o que eu duvido muito - como vou trazer o metal comigo?! ARGH! Eu não vim até aqui pra morrer na praia! Quero dizer, ficar no penhasco! Vou ter que tomar outra direção, espero que a nascente não esteja muito longe da montanha... vou acabar demorando mais do que deveria... e morrer de fome... Puta merda! Mantenha a fé, mantenha a fé! Puta merda...


Acordo pela manhã, atordoado pelo barulho do despertador, arrependido por não poder sonhar mais um pouco. Me levanto sôfrego, vou até o banheiro e escovo os dentes. Eu não queria ter que me levantar, mas é o que eu preciso fazer todas as manhãs. Troco de roupa e coloco o uniforme da loja, uma camisa polo vermelha com o logotipo da empresa bordado em amarelo sobre o peito esquerdo. Respiro fundo, não tenho fome. A maioria das pessoas já estaria no segundo lanche naquela hora, porém, o que sinto mesmo é o meu estômago embrulhado, cheio de ansiedade e arrependimento.

Saio de casa, viro algumas esquinas e chego ao ponto de ônibus. Não demora muito e a condução chega, R$3,50 de passagem e fico de pé, apertado - o ônibus está lotado. Dentre uns quinze minutos chego ao Terminal de Ônibus, desço como todo mundo, quase corrento, atravessando para a outra plataforma para esperar o ônibus duplo sanfonado que vai até o centro da cidade. Uma fila enorme me esperava. Estava atrasado e havia um ônibus saindo. Assim que a fila terminou de entrar e a fila para o próximo ônibus se posicionava, entrei no ônibus que já estava partindo. Novamente me vejo no meio de várias pessoas, não há lugar para me escorar, fico em pé numa posição desconfortável, tentando olhar pela janela e aproveitar a paisagem que vejo todos os dias. Um novo prédio começou a ser construído, interessante...

O ônibus se aproxima do meu ponto, dou sinal e, depois que ele para, desço com mais dez pessoas  que nunca vi na vida. Atravesso a rua e ando algumas quadras e chego a loja. O gerente me recebe com uma bronca:

- Você está atrasado...

- Desculpe-me, isso não irá se repetir... - tento me explicar, mas o gerente não estava de bom humor.

- É o que todo mundo diz! O José e a Laura faltaram hoje, serviço dobrado pra todos.

- Certo...

Fico quieto no meu lugar, esperando um cliente entrar na loja, ainda estava muito cedo e o movimento estava fraco. Duas horas depois o movimento muda, todos os vendedores começam a ficar ocupados constantemente e a falta daqueles dois começa a ser sentida. Eles são os melhores vendedores da loja e o gerente acaba fazendo vista grossa pra eles de vez em quando. Ele também adora tomá-los como exemplo para os demais vendedores, era como se eles conseguissem vender a loja inteira em um dia, enquanto eu levaria pelo menos um ano para fazer o mesmo. Eu sempre fico despreocupado, deixo o cliente escolher por conta própria, vejo atentamente o que ele quer e precisa. Ufa! Uma venda feita! Poucos minutos depois outro cliente aparece, este tem olhar de quem está em dúvida, apenas olhando. "Sem pressa, sem presa", eu penso. Ele abre a boca e me pergunta sobre o preço e eu lhe digo quanto custa. A dúvida ainda pairava sobre seu semblante. O gerente passa, fica de olho em mim com aqueles olhos de águia, me observando de longe, vendo se eu estou fazendo tudo direitinho. O cliente deixa a loja e vai para outra. Olho para o gerente e viro meu olhar rapidamente, pois ele estava fazendo aquela cara de "Por que você deixou o cliente ir embora?!". Eu respiro fundo, eu tenho meu próprio ritmo e eu não estou nenhum pouco a fim de ir além disso. Eu me sinto estranho conversando com outras pessoas, um pouco intimidado, entende? Eu mal consigo olhar nos olhos dos clientes, sempre acabo agindo mais por autocondicionamento do que por vontade própria. Passo meu dias assim, sentindo esse incomodo de que não estou no lugar certo, de estou indo e vindo sem sair do lugar,  completamente perdido. Eu deveria me importar?

No horário de almoço, sou o último a sair. Vou a um restaurante self-service baratinho, escolho o que mais me agrada e me sento a mesa, solitário, pensando na vida. Peço ao garçom uma latinha de refrigerante depois de chamar sua atenção duas vezes. Talvez eu não devesse ter colocado tanta comida, já me sinto satisfeito e ainda falta um bocado no prato. Deixo a mesa e levo a latinha comigo. Uso o vale refeição no caixa e volto para o meu lugar na loja. Suspiro, tenho que continuar até o fim do dia.

Consegui mais duas vendas, coisas pequenas. Passo na sala do RH no fim do dia e pego o pagamento da semana. Noto uma nova diminuição do pagamento e vou falar com o gerente. Ele me dá desculpas, fala que a loja não está passando por uma época muito boa, que é preciso aguentar firme... Jogo na cara dele que o José e a Laura ganham cinco vezes mais que eu e só aparecem uma ou duas vezes por semana. Ele retruca me dizendo que eu não estou vendendo o suficiente e que eu posso ser despedido. Desisto. Passo no RH novamente e peço minhas contas. Eu não consigo ser um vendedor melhor do que aqueles dois afinal...

Vou para o ponto de ônibus triste, a fila está enorme, há pelo menos três filas de espera para os próximos ônibus. Suspiro. Dou meia volta e vou em direção a outro ponto de ônibus, este fica mais longe, é uma boa andada até lá, mas não fica tão lotado quanto aquele e eu posso ficar sentado a viagem inteira. O tempo até que eu chegasse em casa ficou em torno de três horas no fim das contas.

Chego ao portão de casa cansado, com a cabeça cheia, imaginando quando eu conseguiria um novo emprego. Dentro de casa vejo que meus pais compraram um fogão novo. Eles estão felizes que eu estou trabalhando e resolveram comemorar. Eu respiro fundo:

- Devolvam! - digo, resoluto.

- Mas...

- Devolvam! - repito, com mais raiva.

- Por quê?

- Não vou pagar por isso, saí do emprego...

- E agora? Já jogamos fora o fogão antigo... - diz meu pai.

- Merda! Será que vocês não podem pensar um pouco antes de ficar gastando dinheiro! CARALHO! - perco a paciência e viro a mesa com tudo que está em cima dela.

Meus pais ficam calados. Arranco a camiseta da loja pela cabeça e jogo fora. Coloco outra camisa e saio de casa.

- Aonde você vai? - pergunta minha mãe, aflita.

- Não sei! - grito pra ela.

Saio pelas ruas, andando sem rumo, sem saber o que fazer da minha vida. Quem sabe eu devesse cometer suicídio... É tão fácil pensar que isso resolve tudo! Quem sabe resolva...

Continuo andando, passo umas três horas andando, procurando lembrar de algum lugar que fosse interessante ir naquele horário tarde da noite. Fico cansado e resolvo tomar um ônibus para voltar pra casa.

Meus pais já estão dormindo, tomo um banho e visto uma roupa velha pra ir dormir. Na manhã seguinte, acordo sem querer acordar e fico me revirando. Penso que a vida deveria ter sido diferente, que eu fiz as escolhas erradas, que eu queria voltar a ser uma criança sem responsabilidades. Passo o dia inteiro na cama, não quero me levantar, não tenho motivos para me levantar... não tenho bons motivos para me levantar.

No dia seguinte, acordo cedo, tomo banho e coloco uma roupa pra sair. Minha mãe me vê saindo e pergunta:

- Vai aonde?

- Procurar emprego...


Agora que você leu estas duas histórias, talvez eu possa continuar a falar sobre a minha história. Se é que alguém se interessa por isso...

Escrevi estas duas histórias porque: o que eu quero fazer é escrever, gosto do estilo medieval fantástico e retratei o dia de um personagem comum, iniciante, que está aprendendo a lidar com o mundo ao seu redor e não tem que prestar contas a ninguém, ele faz o que quer, quando quer e pode ir a lugares fantásticos, um símbolo de liberdade, por assim dizer. Na segunda história retrato mais ou menos o que aconteceria comigo se eu conseguisse um emprego, o que eu deveria fazer, usando situações que já aconteceram comigo e tendem a se repetir. Eu realmente não lido bem com pessoas, não gosto da ideia de ter mais vontade de ir embora do que em chegar ao trabalho, não gosto de ficar preso nessa rotina sem sentido e definitivamente eu ficaria estressado... Na verdade, eu estou sempre estressado, tenho vontade de matar alguém, de ficar batendo repetidas vezes em seu cadáver só para gastar toda a raiva que venho acumulando. O mundo não faz sentido pra mim. Isso sem contar que a parte sobre os meu pais é bem parecida com a realidade, só que ao invés de fogão novo, que até não seria uma má ideia, uma vez que o nosso fogão tem mais de 15 anos de uso; meu pai inventou que quer vender queijos produzidos no Ceará e trazê-los para São Paulo junto de outras mercadorias, como carnes incomuns e exóticas. O único problema é que ele esta gastando mais dinheiro do que deveria! Eu nunca vi ele fazendo uma única conta de quanto ele vai conseguir se vender todos os queijos, ir morar no Ceará foi um completo fiasco, gastamos todo o dinheiro que foi conseguido com a venda de um terreno em outra cidade, e ele não percebe que está gastando dinheiro que não tem! Meu irmão é que está trabalhando de verdade aqui em casa e acumulou um boa quantia nos últimos meses e, como se não bastasse, meu pai está pegando dinheiro com o irmão dele para poder comprar a cama que está faltando, já que só há três camas para cinco pessoas na minha casa. Não, o pior não é isso... Ele está pensando em pegar um empréstimo no banco! Eu digo pra ele: "Pra pagar com que dinheiro?! Não pode esperar pelo menos pela aposentadoria da mãe, não?!" Como se ele ligasse... Argh...

No meio dessa confusão, sem dinheiro, sem saber o que fazer da minha vida, eu preciso encontrar um emprego, não tenho nenhuma formação que me possibilite um encaminhamento e, a cada dia que passa, me sinto mais alienado, perdendo a noção do tempo... Não tenho coragem pra realmente dar duro e escrever um livro atrás do outro, toda vez que me sinto pronto pra escrever, minha mãe me lembra que eu tenho que ir trabalhar, encontrar um emprego... É frustrante!

Nos últimos dias nem consigo pensar em comer direito, tenho apenas almoçado fora de hora e comido qualquer coisa como lanche para o jantar. Eu não consigo sentir fome... Vejo pessoas dizendo que já querem almoçar antes do meio-dia e não consigo entender como podem ter tanta vontade de comer... De certo que eu acabo almoçando mais de cinco horas da tarde, mesmo assim...

Não tenho ânimo para viver, nem estou depressivo o suficiente para fazer alguma besteira... - pensar assim já virou um hábito. O mês está acabando, está é a 10ª publicação no blog e não consigo ver valor algum na minha vida. Talvez ela não tenha nenhum mesmo...

Já não espero que haja alguma resposta para minhas angustias e devo ficar sem comentar sobre isso por um tempo, está ficando chato demais ser apenas chato... Tenho alguns textos antigos que nunca usei, gostaria de reciclar e publicar no blog no mês de Março, e, quem sabe, eu consiga juntar coragem pra escrever um livro no mês de Abril... Talvez seja melhor esquecer esse último, cortar meus dedos fora e me declarar insano logo...

Não sou feliz e não pertenço a lugar nenhum...
Até a próxima... Eu acho...
Tudo o que eu queria era ter o direito de ser eu mesmo... mas isso não passa de uma grande mentira...


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

CRÔNICA: NADA É IMPOSSÍVEL, CONTUDO, SOMOS LIMITADOS

Aquela velha frase daqueles que tiveram sucesso: "Nada é impossível". Será mesmo? Ou isso só quer dizer que a maioria dos seres humanos é preguiçosa e quando deveria continuar batalhando para conseguir alcançar seus sonhos, desiste antes mesmo de chegar na metade do caminho? É de se pensar...

Estive imaginando o quanto crescer num ambiente limitado pode te tornar limitado. Claro, isso é relativo, existem pessoas que tinham pouco e hoje tem muito, da mesma forma que pessoas que tinham muito não possuem quase nada hoje. Mas, o que quero dizer é, com relação a temática do blog, falando sobre mundo ideais e fictícios, o quanto será que as limitações influenciam na capacidade de alguém ultrapassar suas limitações ou, pelo contrário, se limitarem mais ainda?

Penso nisso porque vejo em São Paulo, uma das cidades mais superpopulosas do mundo, pouquíssimos espaços para crescer. Na rua onde moro atualmente, boa parte das casas não possuem quintal e vejo as crianças saírem para brincarem nas ruas. Se por um lado isso dá a liberdade para a criança crescer, correr, brincar, etc., isso também dá a elas vazão para fazerem o que quiserem, uma vez que os pais costumam "estar ocupados demais para cuidar dos filhos o tempo todo". O ideal, deveras, era poder crescer de forma saudável, mas acho difícil simplesmente dizer que isso acontece por causa dessa limitação de espaço. E não são poucas pessoas, são milhões de pessoas que crescem de "forma irregular".

Eu, por exemplo, não tive o problema de crescer sem espaço, até pouco tempo atrás eu não vivia cercado por casas, eu podia ver São Paulo de forma livre e observar o horizonte. Agora, o "progresso" chegou, minha casa foi modificada e o meu espaço, limitado. Ou seja, isso não fazia parte da minha maneira de ver o mundo e ainda tenho que me acostumar com a ideia de que não sou mais livre, estou rodeado por paredes. Em contrapartida, não é essa a minha limitação...

Tenho duas grandes limitações: família e dinheiro. Enquanto há pessoas que são extremamente felizes com a família que tem, que não trocariam nenhum parente por nada nesse mundo, eu gostaria que pelo menos uma pessoa na minha família tivesse trilhado "o caminho ideal" da vida. Tivesse feito faculdade, conseguisse ter sucesso em sua profissão e fosse um exemplo para os outros. Ninguém da minha família, entre pais, tios e tias, fez isso: cursou a faculdade, trabalhou para conseguir o sucesso e hoje é uma referência na profissão; diferente disso, a maioria trabalha por conta, faz o seu próprio trabalho e vive do jeito que der, ganhando o quanto pode, sempre vivendo disso e daquilo, nunca de forma uniforme, por assim dizer. Eles trabalham duro, vão trabalhar constantemente e sempre garantem o dinheiro no final do mês, não estou contestando isso. Estou dizendo que para eles estudar não é algo importante, nem nunca foi, nunca tiveram dores de cabeça para passar no vestibular, não sabem o que é um trabalho de conclusão de curso e muito menos sabem do que se trata o conteúdo de uma faculdade. São mundos completamente diferentes... e adivinhe de que lado eu gostaria de estar? Vou dar uma dica, não é com eles...

O outro fator que limitou a minha vida, como disse antes, foi o dinheiro. Minha mãe é "dona de casa" e meu pai vive de forma tão indefinida que eu não consigo dar um nome, atualmente ele é vendedor de queijos que traz do Ceará (OBS.: Não temos dinheiro para comprar esses benditos queijos e mesmo assim ele quer continuar com isso). Os dois não terminaram a escola e, quando eu tive a oportunidade de entrar numa escola técnica, como filho mais velho, me disseram não, que ia ser caro, algo assim. Meus irmãos não tiveram a mesma sorte, eles cursaram a escola técnica e hoje são técnicos em administração (meu irmão) e eletrônica (minha irmã). Eu tentei Design de Interiores, pois era um curso parecido com a Arquitetura, curso que me interessava, e acabou que o custo para o material do curso estava muito fora do orçamento familiar. Eu precisava de pelo menos uma prancheta para prosseguir normalmente (neste caso, prancheta é uma mesa grande, inclinável, com uma régua paralela, grande, que vai praticamente de um lado ao outro dessa mesa na horizontal, vide imagem).


Isto sem contar que na época não tínhamos computador, se eu quisesse fazer uma pesquisa eu precisava ir até uma Lan House, gastar algo em torno de R$6 por 6 horas de internet (isso era um pacote, e só ficava disponível pela manhã, fora desse horário o preço era de R$2 a hora). Eu nem fazia ideia do que realmente era uma pesquisa, pra mim era tudo "copie e cole, leia se possível". Vi várias Lan Houses abrirem na época e praticamente nenhuma sobrar hoje em dia - incluindo a Lan House onde eu pagava barato, que fechou no meu segundo semestre. Além de não ter acesso ao material físico para poder fazer o curso, eu não tinha acesso ao material de pesquisa e, para se concluir o curso de Design de Interiores, isso não poderia faltar!

Eu trabalhei durante um bom tempo como vendedor, no começo, entre 12 e 15 anos (não lembro ao certo) era apenas aos sábados, posteriormente eu viria a trabalhar também de segunda a sexta após o horário de aulas. Antes de começar o 3º ano do ensino médio, porém, eu não quis mais trabalhar, aquilo não era vida pra mim... Em suma, eu tive bastante dinheiro durante essa época, afinal era tudo pra mim, e quando precisei para o curso, não sobrou nada...

O dinheiro é uma limitação traiçoeira, e por isso há pessoas que, mesmo sem serem gananciosas, sabem que tudo é dinheiro. O dinheiro é o que nos possibilidade trocar, de uma forma comum, trabalho e produto. Você trabalha e assim pode adquirir produtos necessários a vida e ao lazer - essa é a regra da sociedade. Fora dela, a única forma alternativa possível seria conviver numa sociedade em que a troca seria sempre justa, ninguém precisaria do dinheiro pra nada, não haveria fome, sede, todo mundo se ajudaria - o que é improvável. Senão, viveríamos como selvagens, se alguém passasse fome e eu tivesse uma propriedade com produção farta, provavelmente eu seria roubado ou alguém iria querer tomar para si a minha propriedade - o que seria o mesmo caos da antiguidade, onde se dizia que metade da população era constituída por ladrões. O dinheiro se tornou a melhor tentativa até hoje de convivermos de forma comum, apesar de ser o mesmo dinheiro que cause tanta diferença entre as pessoas e as chamadas classes sociais. O dinheiro nos liberta, ao passo que nos limita...

Antes de fazer minhas últimas considerações, eu gostaria de citar o efeito positivo que viver sem limitações no bom sentido pode causar: Bibi Ferreira - atriz, cantora, diretora e compositora brasileira, filha do ator Procópio Ferreira e da bailarina Aída Izquierdo, tendo hoje 92 anos e boa parte deles no palco. Não digo que ela não tivesse as limitações e os problemas que todo mundo tem, que não tivesse batalhado para estar no lugar em que está, mas, o que ela se tornou hoje já vem de família e de como ela cresceu. Me lembro dela comentar que sua carreira como atriz começou sem querer ainda muito jovem, pois teria contracenado numa peça como boneca na última hora, algo assim, e que vivia rodeada pelos amigos artistas dos pais. Era praticamente como se o teatro, seu local de trabalho, tivesse sido seu destino desde o começo. No meio de uma família de artistas é natural que isso aconteça e isso só aumentou as possibilidades para ela ser o ícone que é hoje. Não há a menor possibilidade para Bibi viver fora do palco, é lá que ela se realiza e vive a plenitude do seu ser. Todos nós procuramos por uma vida assim... por que não conseguimos encontrar?


Eu só sei que, apesar de não ter pais que se importem com o que eu faço, de não ter dinheiro ou trabalho para seguir em frente, de nem ao menos saber quem são as pessoas que irão ler este pequeno texto, eu queria ter a certeza de que estou no caminho certo, de que não estou sendo preguiçoso por estar em dúvida entre começar a trabalhar sem saber com o quê ou continuar a ser um simples blogueiro que escreve porque gosta. Eu estou rodeado por pessoas que só sabem trabalhar e trabalhar, que trabalham porque precisam, que apenas trabalham... Simples assim, sem ter algum sentido ou razão interior.

Onde eu trabalhei, meus tios já trabalhavam há umas duas décadas e trabalham até hoje. A mesma rotina, acordar cedo de segunda a sábado, exceto em feriados oficias - por vezes trabalhando em dias que a rua toda está praticamente fechada e eles estão lá, trabalhando. Voltam só a noite, às vezes se dando ao luxo de assistir a novela e/ou ao jornal da Globo e vão dormir. Aos sábados e determinados dias do ano ficam até as duas ou três horas da tarde e podem aproveitar um tempinho a mais com as esposas... Se é que se pode dizer isso depois de estarem cansados de uma longa semana de trabalho.  Férias? De vez em quando, raramente para ser mais preciso, eles se ajeitam para passar alguns dias sem trabalhar... Enfim, eles não tem faculdade, de origem pobre e pode-se dizer que progrediram em suas vidas, possuem casa própria e constituíram família...

Heh, me descobri a ovelha negra da família, não sou um rebelde sem causa, mas ainda assim um rebelde, alguém que luta sozinho para sair de suas limitações, para encontrar seu lugar, mesmo que ele não exista...

Eu não pertenço a lugar nenhum...
Até a próxima! :o]


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

VARIEDADES: LISTA DE PAPELARIAS DE SÃO PAULO - SP

Na época em que estudei no curso de Design de Interiores, uma das coisas que tive de aprender é que não é qualquer papelaria que realmente vende material para desenho técnico e possui uma boa variedade de tipos de papel, por exemplo, para projetos grandes. Como estou fazendo uma pequena limpeza nas minhas coisas antigas, pois é algo tão velho, anos 2008 e 2009, que, ao me mudar para o Ceará durante 1 ano e 6 meses, me desliguei completamente; decidi ao menos guardar a lista das papelarias que me deram no meu 1º ano no curso. Eu até gostaria de voltar a fazer o curso, mas sei que do jeito que as coisas vão, retomar um curso que exige tantos recursos como aquele exigiu não poderá ser uma possibilidade pelos próximos anos... A seguir, a lista que estava no meu antigo caderno que usei no curso. Não faço ideia se o endereço ainda permanece o mesmo ou se a papelaria fechou nesse meio tempo.

LISTA DE PAPELARIAS

Papelaria Universitária

  • Rua Maria Antônia, 263 - Consolação
    Telefone: 3257-1844
  • Rua Humberto I, 1012 - Vila Mariana
    Telefone: 5571-9015
  • Rua José Antônio Coelho, 872 - Vila Mariana
    Telefone: 5539-4559
  • Rua Casa do Ator, 65 -Vila Olímpia
    Telefone: 3842-3139
Visitex
  • Rua Major Sertório, 453 - Vila Buarque (Centro)
    Telefones: 3231-6810; 0800-701-18-15
    3255-9770 (SAC)
Misaspel
  • Avenida Brigadeiro Faria Lima, 834 - Pinheiros
    Telefone: 3815-6755
Rosário
  • Rua Coronel Xavier de Toledo, 242 - Centro
    Telefone: 3255-2188

Artesco
  • Rua Domingos de Moraes, 2248 - Vila Mariana
    Telefone: 5048-1599
Papel Total
  • Rua Maria Antônia, 238 - Consolação
    Telefone: 3259-1687
  • Rua Humberto I, 1072 - Vila Mariana
    Telefone: 5082-1372
Pegetec
  • Rua Aurora, 601 - Centro
    Telefones: 221-8777; 222-3389
OBS.: Vende por atacado.

Três Rios
  • Rua Três Rios, 121 - Bom Retiro
    Telefone: 227-0741
O Projetista
  • Rua Barão de Itapetininga, 255 - 8º andar - Sala 815 - Centro
    Telefone: 3237-0415; 3237-2262
    3257-2659 (Vendas)
Papelaria Japuíba
  • Rua Antônio Lopes Marins, 77 - Casa Verde
    Telefone: 3966-6544
Espero que, se algum interessado chegou até aqui, que esta lista tenha sido útil de alguma forma.
Eu não pertenço a lugar nenhum...
Até a próxima! :o]